Oriente Médio desponta como centro internacional de aviação

Christine Negroni

Em Nova York (EUA)

  • Kamran Jebreili/AP

    Prédio mais alto do mundo desponta no horizonte de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos

    Prédio mais alto do mundo desponta no horizonte de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos

Atenção senhores passageiros: enquanto alguns de vocês estavam soltando fumaça pelo nariz por causa do vulcão Eyjafjallajokull na Islândia há alguns meses, outros encontravam uma nova rota para destinos internacionais que evitavam completamente os céus esfumaçados. Então, enquanto muitas regiões do mundo foram afetadas em abril e maio, as companhias aéreas do Oriente Médio continuaram funcionando, e tiveram um aumento de 19% no volume de passageiros no último ano.

Além disso, o número de seus passageiros que escolhe voar em primeira classe aumentou 25% - “numa corrida para o alto”, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo, organização e grupo lobista do setor com escritórios em Montreal e Genebra.

As mudanças nas circunstâncias econômicas globais criaram novas oportunidades, e funcionários do setor da aviação dizem que muitas delas, tanto de curto quanto de longo prazo, devem estar no Oriente Médio.

“O Oriente Médio teve o luxo de começar a partir de uma folha em branco”, diz Steven Lott, diretor de comunicações da IATA na América do Norte. “Eles foram capazes de desenvolver o modelo de companhia aérea e os modelos de infraestrutura. Eles inauguraram o maior aeroporto do mundo”, disse ele, referindo-se ao recém-inaugurado Aeroporto Internacional Al Maktoum em Dubai, projetado para receber 120 milhões de passageiros por ano. “ Há menos de 30 anos, eles conseguiram partir de uma folha de papel em branco e seguir adiante.”

Desde a época em que se mergulhava atrás de pérolas no Golfo, os Emirados Árabes Unidos são uma rota de passagem para o comércio. As companhias aéreas, entretanto, Emirates de Dubai, Etihad de Abu Dhabi e a companhia de desconto Air Arabia de Sharjah, são relativamente novas no cenário. À medida que o crescimento econômico torna as viagens aéreas mais acessíveis na Índia, China e outras partes da região Ásia-Pacífico, os emirados se tornaram um centro de turismo e negócios assim como um ponto de trânsito.

“O potencial é inacreditável”, diz Nawal Taneja, presidente do departamento de aviação na Universidade Estatal de Ohio.

“A Índia, tem 1,2 bilhões de pessoas”, diz o professor Taneja. “Digamos que em média 20% tenham possibilidade de comprar uma passagem barata, isso significa 240 milhões de pessoas.”

“Onde estará o potencial de mercado daqui a dez anos? Na China. Na Índia. As companhias aéreas dos emirados estão estabelecendo sua expansão lá.”

O nascimento de novas companhias aéreas, como a Bahrain Ari e a Jazeera Airways do Kuwait, é testemunha dessa política, assim como a construção de novos aeroportos em Dubai e Doha, Qatar, e uma enorme expansão do Abu Dhabi International.

Os líderes de Abu Dhabi decidiram renovar sua economia baseada no petróleo transformando o emirado, com sua população de 1,5 milhão, num centro global da aviação até 2030. A Mubadala Development, criada pelo governo, está comprando ou conectando companhias aéreas como a Rolls Royce, Sikorsky e Finmeccanica, para abrir fábricas locais de produção e reparos.

“Nossas projeções em crescimento nos dizem que há um enorme mercado potencial”, escreveu Homaid Al Shemmari, diretor-executivo da Mubadala Aerospace, numa mensagem de e-mail.

Mercados emergentes como o Oriente Médio estão mudando o mercado da aviação, diz Randy Tinseth, vice-presidente de marketing da Boeing. “Vimos um crescimento muito impressionante na última década”, disse ele. “Eles estão aproveitando sua posição geográfica no mundo. Estão aproveitando as mais novas tecnologias.”

Eles também estão aproveitando sua influência. Como as companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos estão gastando bilhões em aviões, a Airbus e a Boeing concordaram em fornecer manutenção e estações de reparos para Mubadala e ajudar a desenvolver a Strata, uma fábrica em Al Ain, a 145 quilômetros de Abu Dhabi.

“O Oriente Médio já tem a maior frota de aviões grandes, e muitos outros pedidos para novas plataformas como o Boeing 787 e o Airbus A350”, diz Shemmari. “Esse investimento foi feito antecipando que a Strata será usada para produzir partes de aeronave para os modelos A330, 340 e 380.”

A fábrica Strata que foi inaugurada recentemente deverá empregar 500 pessoas e começar a fabricar peças para os Airbus em 2014, de acordo com um folheto da companhia.

Mubadala diz que 10 mil pessoas serão necessárias para trabalhar nas novas fábricas aeroespaciais e de aviação de Abu Dhabi, e o objetivo é preencher esses empregos com cidadãos locais. Isso pode ser difícil.

O objetivo de abandonar uma economia lucrativa baseada no petróleo e com poucos empregos e passar para atividades que demandam mais trabalho não é apenas fazer dinheiro, mas também distribuir os benefícios sociais, criando oportunidades de trabalho que permitirão que as pessoas participem do crescimento econômico de seu país.

“Embora Abu Dhabi tenha sorte de ter tanto o capital quando a energia necessários para suprir as demandas da indústria aeroespacial, haverá muita necessidade de desenvolver a mão de obra altamente especializada que será exigida”, diz Shemmari.

O primeiro teste acontecerá na fábrica Strata, a Airbus e a Boeing já estão no local, e os classificados de empregos do setor da aviação estão repletos de ofertas de trabalho no Oriente Médio.

“Essas pessoas estão nadando em dinheiro, mas precisam estar dispostas a aprender como consertar um motor ou um avião, ou até mesmo sentar num escritório por oito horas e preencher papeis diligentemente”, disse um empreiteiro que trabalhou na região mas não quis se identificar. “Eles precisam de educação. Precisam de pessoas com diplomas técnicos. Precisam ter pessoas de fato dispostas a fazer o trabalho.”

Tradutor: Eloise De Vylder

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