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Os novos caminhos da seda na Ásia

Parag Khanna

Ulaanbaatar (Mongólia)

  • Reuters

    Nações em desenvolvimento devem saber como aproveitar seus recursos naturais. Na imagem, o vazamento de petróleo no porto de Dalian, na China

    Nações em desenvolvimento devem saber como aproveitar seus recursos naturais. Na imagem, o vazamento de petróleo no porto de Dalian, na China

O destino dos enormes depósitos de lítio descobertos recentemente no Afeganistão não deve ser diferente daquele dos outros recursos naturais dos países da ásia Central que não têm saída para o mar: explorados pelo Ocidente e eventualmente controlados pelo Oriente. A madeira siberiana, o minério de ferro da Mongólia, o óleo cazaque, o gás natural do Turcomenistão e o cobre afegão já são canalizados diretamente para a China por meio de uma rede recentemente construída para o Oriente que está alimentando o rápido desenvolvimento da maior população do mundo. O investimento adiantado dos chineses na construção de estradas, ferrovias e dutos pela ásia Central cria uma oportunidade para o Ocidente - e para a própria região. Ao invés de entrar em uma competição de alto risco pelos recursos valiosos da ásia Central - no que seria uma nova rodada do Grande Jogo do século 19- o Ocidente deveria apoiar os passos iniciais da China, estimulando os governos locais a expandirem as exportações têxteis e agrícolas e evitarem a maldição de recursos que arruína muitas nações em desenvolvimento que têm apenas uma commodity. A China pavimentou o caminho para finalmente abrir o interior da ásia Central, e o Ocidente deveria somar a esse sucesso, criando um novo Caminho da Seda Oriente-Ocidente movido pelo petróleo. Os dutos do Mar Cáspio pelo Cazaquistão, o gasoduto recentemente aberto do Turcomenistão via Uzbequistão e Cazaquistão e outras rodovias e ferrovias que devem passar pela Rússia e atingir o porto de mar profundo de Guwadar no Paquistão fazem parte do esforço da China de transformar a ásia Central de uma região de Estados tampão em um corredor entre o Ocidente e o Oriente. Os líderes de Pequim olharam com acerto para a Eurásia como uma fonte rica de recursos naturais para fomentar sua próspera economia. Em vez de ver os movimentos da China na ásia Central -e na áfrica- como uma forma suspeita de neocolonialismo, os países ocidentais deveriam se focar em como usar as rodovias e ferrovias construídas pelos chineses para obter sucesso em sua própria estratégia regional. Isso significa cooperação em vez de competição. Isso também pode acontecer por meio de pesado investimento em infraestrutura, construção de novas linhas no mapa que transcendem fronteiras arbitrárias e trazem verdadeiro valor econômico.

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