Veículo movido a energia solar vai transportar 1.200 pessoas na China

Bettina Wassener/ Andrea Deng

em Hong Kong (China)

O que fazer se as suas estradas encontram-se congestionadas e poluídas? Criar um veículo que não ocupe espaço nas estradas. E fazer com que ele seja parcialmente movido a energia solar.

Uma companhia de Shenzhen, uma cidade de economia próspera do sul da China, fez exatamente isso. Em uma tentativa de resolver os problemas do país com o trânsito e qualidade do ar, a empresa Shenzhen Huashi Future Parking Equipment desenvolveu um veículo sem dúvida esquisito, extremamente largo e alto, que pode transportar 1.200 passageiros.

Embora tenha sido apelidado de “ônibus de pernas abertas”, a invenção da Huashi lembra, sob vários aspectos, um trem – sem exigir, no entanto, trilhos elevados ou a construção de túneis. O seu compartimento de passageiros tem a largura de duas pistas de automóveis e fica bem acima da superfície da estrada, graças a um par de “pernas” que lembram ripas de uma cerca, e que liberam a rodovia para que os carros comuns passem debaixo do veículo. Ele circula ao longo de uma rota fixa.

A invenção tamanho família da Huashi Future Parking – o veículo tem seis metros de largura – deverá ser movida a uma combinação de eletricidade da rede municipal e energia solar oriunda de painéis instalados nos tetos dos veículos e em pontos de ônibus.
Um projeto piloto para o veículo está em andamento em Pequim, e várias outras cidade chinesas manifestaram interesse pela invenção.
A companhia diz que o veículo – que se locomoverá a uma velocidade média de 40 quilômetros por hora – poderá reduzir os engarrafamento de trânsito nas vias principais em 25% ou 30%.

Esse ônibus esquisito poderá transportar 40 vezes mais passageiros do que um ônibus convencional, tendo o potencial para economizar as 860 toneladas de combustível que 40 ônibus consumem anualmente, e para evitar a emissão de 2.640 toneladas de carbono, segundo Youzhou Song, o projetista do veículo. “Eu tive essa ideia quando fazia pesquisas para a execução de projetos de estacionamentos inovadores para bicicletas e carros”, explicou na semana passada, em uma entrevista por telefone. “Eu vi os engarrafamentos de trânsito e me perguntei se seria possível tornar os ônibus mais altos”.

O projeto chama atenção para vários problemas que surgiram com o crescimento econômico explosivo da China. A população urbana do país vem se expandindo rapidamente nos últimos anos. Em um relatório do ano passado, a empresa de consultoria McKinsey calculou que uma quantidade adicional de 350 milhões de pessoas – o que é mais do que a população dos Estados Unidos – se mudará para as cidades chinesas em 2015. Mais de 220 cidades terão mais de um milhão de habitantes (a título de comparação, atualmente a Europa tem apenas 35 cidades que se encaixam nessa categoria).

Tudo isso tem resultado em uma grande necessidade de infraestrutura urbana, e a McKinsey calcula que 170 novos sistemas de trânsito de massa poderão ser construídos até 2025. Ao mesmo tempo, o aumento da afluência da população vem provocando um aumento explosivo do número de carros – e, consequentemente, dos engarrafamentos de trânsito.

A China é o maior poluidor mundial da atmosfera, e as autoridades em Pequim estão ansiosas para reduzir as emissões de carbono. As autoridades têm promovido tecnologias de energia alternativa, como a energia solar, e meios de transporte mais econômicos.
A invenção da Huashi parece ter recebido a aprovação preliminar de Pequim. O distrito de Mentougou, na capital chinesa, está testando essa tecnologia e pretende começar a construir nove quilômetros de rotas para o novo veículo no final deste ano. Se o teste for bem sucedido, 186 quilômetros de novas rotas deverão ser construídos.

“O projeto de Song está em sintonia com a nossa concepção de transporte verde e com a nossa visão de futuro. Nós esperamos dar início à construção e à operação desse veículo o mais rapidamente possível”, diz Wenbo Zhang, diretor da comissão de ciência e tecnologia do distrito de Mentougou, que acrescenta, no entanto, que será necessário tempo e investimento para efetuar as aprovações oficiais exigidas.
Duas outras cidades, Shijiazhuang, na província de Hebei, e Wuhu, na província de Anhui, também se inscreveram para obter financiamento para o sistema de “ônibus de pernas abertas”, disse Song, e a cidade de Luzhou, na província de Sichuan, também manifestou interesse.

Os veículos serão fabricados pela China South Locomotive & Rolling Stock Corporation, a partir do final deste mês, afirmou Song. Segundo Song, o custo da fabricação do novo sistema – US$ 7,4 milhões (R$ 13 milhões) , por cada ônibus e 40 quilômetros de rotas e instalações necessárias – representa cerca de um décimo do custo de um sistema de metrô com a mesma extensão.

Entre as invenções mais modestas da Huashi Future Parking estão estacionamentos verticais de bicicletas, com o objetivo de economizar espaço. Segundo Song, esse sistema foi vendido para a prefeitura de Nanchang, na província de Jiangxi, e para uma fábrica em Dongguan, na província sulista de Guangdong.
 

Tradutor: UOL

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