Estudos indicam que novas regras bancárias poderiam estimular crescimento econômico

Jack Ewing

em Frankfurt (Alemanha)

Novas regulamentações internacionais relativas à quantidade de capital que os bancos podem manter fariam inicialmente com que os empréstimos ficassem mais caros e prejudicariam o crescimento econômico, segundo dois estudos divulgados na última quarta-feira (18/08) pelos bancos centrais e agências reguladoras que estão criando as novas regras.

Mas, segundo os estudos, os efeitos econômicos serão menores do que se temia, e regulamentações mais rígidas acabariam conduzindo a um crescimento econômico mais elevado ao prevenirem futuras crises bancárias. Os estudos, publicados pelo Comitê de Estabilidade Financeira e pelo Comitê de Basileia para Supervisão Bancária, cujos membros incluem autoridades de bancos centrais e regulamentadoras dos Estados Unidos, da Europa, da China e da maioria dos demais países importantes no cenário internacional, contradizem afirmações do setor bancário de que as novas regulamentações poderiam provocar uma redução do crescimento econômico.

Os efeitos estimados das regras propostas sobre a produção econômica “são significativamente menores do que algumas estimativas comparáveis publicadas por grupos do setor bancário”, afirma o relatório de um estudo chefiado por Stephen G. Cecchetti, diretor do departamento monetário e econômico do Bank for International Settlements, de Basileia, na Suíça, onde fica o Comitê de Basileia.

O estudo revelou que o impacto de tais medidas sobre o produto interno bruto seria oito vezes menor do que foi estimado pelo Instituto de Finanças Internacionais, um grupo do setor bancário cujo presidente é Josef Ackermann, o diretor-executivo do Deutsche Bank, em Frankfurt.
“A análise demonstra que os custos macroeconômicos da implementação de padrões mais rígidos poderão ser administrados”, afirma Mario Draghi, presidente do Banco da Itália e diretor do Comitê de Estabilidade Financeira. “Os benefícios a longo prazo para a estabilidade financeira e para um crescimento econômico mais estável são substanciais”.

Propostas feitas pelo Comitê de Basileia em julho exigem que os bancos mantenham US$ 3 (R$ 5,27) de capital para cada US$ 100 (R$ 175,70) que emprestarem, e estabelecem exigências mais duras para a determinação de que tipos de ativos podem ser qualificados como capital. As regras, que os líderes do G-20 avaliarão ao se reunirem em Seul, em novembro, também exigem que os bancos aumentem aquela parcela de ativos líquidos que podem ser facilmente negociados para a obtenção de dinheiro.

Mas as regras relativas ao capital só entrarão integralmente em vigor em 2018, o que gerou críticas de que os bancos centrais estariam sendo muito lenientes para com os bancos. Na quarta-feira as ações dos bancos subiram, após o anúncio das novas regras, devido ao alívio dos investidores ao constatarem que elas não seriam mais onerosas. Os estudos divulgados na quarta-feira, e dos quais o Fundo Monetário Internacional (FMI) também participou, indicam que os bancos poderiam compensar as despesas com a obtenção de mais capital por meio do corte de gastos e de salários de banqueiros, minimizando ainda mais o impacto macroeconômico.

Os bancos poderiam também obter dinheiro de forma mais barata caso os investidores acreditassem que eles se tornaram menos arriscados.
 

Tradutor: UOL

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