"Sinto-me castigado nos EUA", diz Oliver Stone

Diego Muñoz
Em Madri

Todos os indícios apontam inequivocamente que Oliver Stone e Alexandre Magno tinham de se encontrar. Como o diretor de "Platoon", "Nascido em 4 de Julho", "JFK" ou "Procurando Fidel" (prestes a estrear na Espanha) não pôde viver no século 4º antes de Cristo, decidiu recriar a vida do maior conquistador de toda a história: Alexander Magno, que aos 25 anos era dono de 90% do mundo conhecido.

Mas Oliver Stone não pretendia se limitar a um filme de ensaio e sem polêmica: queria transformar as façanhas bélicas de Alexandre em um grande espetáculo. A superprodução custou US$ 150 milhões. E não queria ocultar, muito pelo contrário, a bissexualidade do conquistador do Oriente.

Com um elenco de luxo: Colin Farrell no papel do rei macedônio, Angelina Jolie no de sua mãe, Val Kilmer como o Rei Filipe e Anthony Hopkins como o fiel Ptolomeu, "Alexandre Magno", com suas quase três horas de duração, estréia nesta quinta-feira (6/1) na Espanha em 420 salas. Com o filme, vieram à Espanha seu diretor e os atores Colin Farrell e Val Kilmer.

Nos Estados Unidos, a crítica foi dura com ele, e a bilheteria também: arrecadou somente US$ 35 milhões. Oliver Stone está furioso: "Sinto-me castigado nos Estados Unidos".

El País - É verdade que o senhor leu a primeira biografia de Alexandre quando era menino?

Oliver Stone - Sim. O livro fazia parte de uma coleção que transformava os grandes homens em heróis, mas realmente foi mais tarde, já adulto, que li mais sobre Alexandre. E quanto mais lia e pesquisava, mais ele me apaixonava como personagem. Sempre disse que gostaria de ter vivido no tempo de Alexandre e de ter filmado alguma de suas campanhas com uma câmera documental.

EP - O que mais o atraiu em Alexandre: a paranóia da guerra e do poder, ou mostrar que o símbolo do superguerreiro, do supermacho, era um pouco afeminado e bissexual?

Stone - As duas coisas. Mas Alexandre reúne tudo: desde ter chegado ao mais alto até ter caído ao mais baixo. Tem tudo a que aspira um dramaturgo, porque reúne todas as contradições de um grande personagem. Tem toda a sabedoria e toda a inocência. É um selvagem e ao mesmo tempo é terno. É um personagem superatraente, que, não esqueçamos, foi capaz de conquistar o mundo aos 25 anos.

EP - O senhor demorou 15 anos para fazer esse filme e finalmente teve de buscar na Europa o financiamento que Hollywood não quis lhe dar. Por quê?

Stone - Primeiramente, o fato de que estamos falando de um personagem bissexual torna absolutamente impossível encontrar financiamento em Hollywood para um grande filme, uma grande produção, que era o que eu queria fazer. E fiz, encontrando o financiamento na Europa. Foi em Hollywood que contatei o produtor Moritz Borman e ele cuidou de buscar dinheiro na Europa. Creio que hoje o mundo se divide em três blocos: Estados Unidos, Europa e Ásia, e graças ao fato de existirem esses três blocos pode-se fazer um cinema mais pluralista.

EP - O senhor acredita que a indústria americana o está castigando por continuar sendo rebelde, contestador, a ovelha negra de Hollywood?

Stone - Creio que demos um viés estranho à democracia grega, porque as pessoas que sabiam demais ou eram envenenadas ou mandadas para o exílio. Há muita gente que não gosta do que faço. Mas o alucinante é que digam que as pessoas não gostam do que faço porque tenho opiniões! O modo grego autêntico é que cada um possa expressar o que pensa e diz a qualquer momento... Sim, sinto-me castigado nos Estados Unidos e creio que a indústria e a crítica me castigaram em "Alexandre, o Grande" por causa de meus documentários sobre Fidel Castro.

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