População da China atinge 1,3 bilhão de pessoas

Rafael Poch
Em Pequim

Segundo uma estimativa oficial, a China alcançou neste 6 de janeiro os 1,3 bilhão de habitantes, segundo informou nesta quinta-feira o Departamento Nacional de Estatísticas. O anúncio coincide com o 25º aniversário, este ano, da política do filho único, introduzida na lei sobre o casamento em 1980.

Sem planejamento familiar a China teria hoje 1,6 bilhão de habitantes e estaria condenada a superar nos próximos anos os limites que transformariam em catástrofe definitiva os atuais e complexos equilíbrios entre população e recursos que o país controla como pode.

Nos últimos 25 anos a China se economizou 300 milhões de habitantes, mas sua população continua crescendo. Espera-se um crescimento líquido de 10 milhões anuais durante as duas próximas décadas. A estimativa é que, mantendo o atual índice de fertilidade (número de filhos por mulher/casal) de 1,8, a população total só alcançará o crescimento zero em 2034, quando chegar ao máximo de 1,486 bilhão. Com uma fertilidade de dois filhos por mulher/casal, uma hipótese mais pessimista, a China atingiria um máximo de 1,557 bilhão em 2043.

Quer dizer, a população total da China ainda aumentará entre 200 e 300 milhões antes que o país alcance o crescimento populacional zero.

"A maioria de nossas projeções estima que em 2035 atingiremos o teto e nos estabilizaremos por volta de 2040. Acreditamos que o máximo da população que alcançaremos não superará os 1,5 bilhão", explicou a La Vanguardia Xie Zhenming, vice-diretor do Instituto de Pesquisas sobre População e Desenvolvimento de Pequim.

Segundo a estimativa, com seus recursos de produção a China não poderia sustentar de maneira alguma uma população superior a 1,6 bilhão de habitantes. O país mais populoso do mundo "realizou esforços persistentes para diminuir seu crescimento populacional nos últimos 30 anos e teve êxito na redução de seu índice de natalidade", salienta um comunicado da Comissão de População e Planejamento Familiar divulgado nesta quinta pela agência de notícias Xinhua.

Elaborados a cada dez anos em nível geral, e com estudos parciais a cada cinco anos, os censos nacionais são na China, como em todo o mundo em desenvolvimento, um trabalho complexo.

"Nos anos 80 muita gente não quis responder às perguntas do censo porque tinha medo. No último censo, de 2000, advertia-se que as perguntas eram só informativas e que as pessoas não seriam multadas por infringir as leis de planejamento familiar", disse Xie.

Mesmo assim, os demógrafos estimam que, para compensar o ocultamento de dados e os fenômenos ocasionados pela população flutuante, o censo nacional deve aumentar seus resultados em 18%, que são somados ao total final. Assim chegou-se à cifra de 1,3 bilhão de habitantes oficialmente alcançada nesta quinta, explica o especialista.

Com os anos, o índice de natalidade da China tornou-se inferior ao dos países desenvolvidos como Estados Unidos ou França, e o planejamento familiar está deixando de ser um assunto meramente demográfico, baseado na conscientização da população e na coerção pública, para se transformar em um serviço assistencial.

Pelo menos é essa a intenção dos planejadores. "Mudar o grande e burocraticamente complexo programa chinês de planejamento, de um enfoque demográfico para outro de qualidade da assistência, é uma tarefa colossal, que não poderá ser realizada rapidamente", reconhece Xie.

Enquanto isso, a modernização e a urbanização mudaram completamente o aspecto do problema. Em Xangai, 80% dos jovens disseram querer apenas um filho e 5% não querem ter filhos. Na China próspera, a região costeira do país, o crescimento populacional zero será alcançado dentro de cinco anos, em 2010. Ali já estão sendo implantadas medidas para resolver outro problema: o envelhecimento da população.

Para 2050, estima-se que 27% da população total da China terá mais de 60 anos. Na época, a população mundial, que hoje é de 6,4 bilhões, terá se estabilizado em torno dos 8,9 bilhões, com a China sendo um dos principais protagonistas da grande freada global.

Prevenção contra o inglês

Apesar da ocidentalização que vive a China, o governo mantém sua prevenção contra as influências estrangeiras. Um alto responsável governamental da Cultura alerta na revista do Partido Comunista contra o predomínio do idioma inglês na Internet, já que estima que isso afeta a "hegemonia lingüística" do chinês e "influencia as informações" que os habitantes do país recebem. País mais populoso do mundo ainda terá mais 200 ou 300 milhões Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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