Boneca Barbie, 45, adapta sua beleza para faturar

Maite Gutiérrez
Em Barcelona

Amada e odiada igualmente. Ícone da elegância, força e vitalidade femininas para alguns; estereótipo machista de mulher bonita e burra para outros. Sua vida está cheia de aventuras e contradições. Viajou ao espaço, foi médica, jornalista, princesa, estrela do rock --mais de 75 profissões--, mas também foi crucificada (literalmente) e deu um passeio pelo mundo das "drag queens".

Barbie, a diva da Mattel, a boneca-manequim mais famosa da história, despertou paixões e antipatias ao longo de seus 45 anos de vida. Teve detratores, mas sempre saiu com garbo de qualquer situação. Sua última prova de fogo, a concorrência das Bratz, um grupo de amigas modernas da empresa MGA. Essas meninas de olhos e lábios enormes cativaram as pré-adolescentes a ponto de superar as vendas de Barbie no Reino Unido em novembro passado.

O ano de 2003 também foi duro para a loira da Mattel. As Bratz e seus colegas masculinos pegaram com força no mercado, mas no ano seguinte Barbie ressurgiu de suas cinzas cor-de-rosa como uma fênix de plástico. A Mattel Espanha afirma que de janeiro a novembro do ano passado as vendas da boneca aumentaram 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Barbie está cheia de vida e olha para o futuro com otimismo, mas, como todos, também tem um passado. Quem a pariu foi Ruth Handelrs, co-fundadora da Mattel, com seu marido Elliot. Sua fonte de inspiração foi uma boneca alemã para adultos chamada Lilli, baseada por sua vez na carinhosa e astuta protagonista de uma tira cômica que era publicada no jornal alemão "Bild Zeitung".

A Mattel pôs mãos à obra e apresentou Barbie --batizada com o mesmo nome da filha do casal Handelrs-- na Feira Anual de Brinquedos de Nova York em março de 1959. Venderam-se 351 mil unidades a US$ 3 cada. Desde então foram comercializadas mais de um bilhão de unidades.

Na Espanha, onde chegou em 1978, bateu o recorde de vendas em 1998, com 1.850.000. É a boneca mais rica da história e encontra-se entre as 20 marcas de maior valor no mercado mundial.

150 países

Essa Barbie está até na sopa, é vendida em 150 países, tem 50 nacionalidades e calcula-se que nos Estados Unidos cada menina possua em média dez bonecas.

Seu físico evoluiu ao longo dos anos: com e sem sorriso, mudanças de olhar, de cabelo... tudo para deixá-la mais de acordo com os novos cânones de beleza que martirizam muitas mulheres. O último capítulo: sobraram atributos em Barbie, e ela foi submetida a uma redução de seios.

Barbie foi uma revolucionária. Foi a primeira boneca com namorado, Ken, um sujeito loiro um pouco insosso, o protótipo de aspirante republicano à Casa Branca.

Mas ela lhe deu o fora no ano passado e encontrou um grandão também loiro chamado Blaine --nas praias de Sydney. Também em 2004 Barbie foi vestida por 90 estilistas espanhóis por motivo de seu 45º aniversário. De Basi a Pedro del Hierro criaram moda para a boneca numa exposição que pode ser vista no Museu da Vestimenta de Madri até 16 de janeiro.

Mas no mundo de Barbie nem tudo é cor-de-rosa. Ela foi muito criticada como superficial e consumista; existe até um grupo anti-Barbie que se dedica a desprestigiar a boneca --com página na Internet e tudo.

O artista de origem dinamarquesa Paul Hansen ironizou Barbie transformando-a em personagens diferentes do modelo convencional --lésbica, exorcista ou "drag queen"-- e fizeram-se filmes em que a garota faz amor com Ken --algo difícil de imaginar porque ambos são assexuados.

Apesar de tudo, Barbie segue seu caminho sem dar importância às críticas. Sua última façanha foi se transformar em Barbie Myscene, uma mutação da Barbie clássica com cabeça, olhos e bocas maiores. Barbie Myscene não tem profissão, gosta de rapazes, compras e festas. Em seu mundo tudo é "mega-fashion". Negócio muito lucrativo, brinquedo é tema de exposição em museu Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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