Ronaldinho terá tratamento de choque para dor

Felip Vivanco
Em Barcelona

Ronaldinho Gaúcho, a estrela do Futbol Club Barcelona, apesar de eleito recentemente o melhor jogador do mundo em 2004, não atravessa seu melhor momento, nem de forma nem de jogo.

É porque está fora de forma e a minitemporada de Peralada não adiantou? É porque as lesões que ainda carrega o impedem de matar de peito? É porque não está totalmente curado delas? Sofre de uma lesão mais séria?

Por enquanto, para tentar recuperar o melhor Ronaldinho, o clube acredita que o brasileiro terá de seguir uma série de treinamentos extraordinários, à razão de duas ou três sessões adicionais por semana no próximo mês. Serão treinamentos mais físicos que de toque de bola, mais sacrificados do que para se exibir, embora isso não agrade muito a "Ronie".

O objetivo de Frank Rijkaard é que seu craque tire sempre a nota máxima, a que está quase obrigado por qualidade e por carisma. O plano de choque prevê que Ronaldinho recupere a velocidade endiabrada que o torna único e com a qual supera as defesas adversárias, essa fagulha a que acostumou os torcedores e que se viu nesta temporada em algumas ocasiões --no magnífico gol contra o Milan ou no passe magistral para Eto'o--, mas que em outras brilhou pela ausência.

Dores nas costas

O meia-ponta brasileiro, que na, partida contra o Villareal esteve muito abaixo de sua linha habitual, não começou 2005 muito animado. Na manhã desta quinta-feira (13/01), levantou com fortes dores lombares e com dores adicionais no pescoço e na perna direita, por causa de uma sobrecarga muscular e da coluna que lhe impediram não só de treinar com o grupo como de se movimentar normalmente.

O jogador foi logo submetido a uma intensa sessão de massagem, seguida de exercícios de hidroterapia para tentar relaxar o máximo possível. Às vezes, parece que Ronaldinho não superou totalmente a lesão no tornozelo que sofreu em agosto e que joga forçado.

Em princípio, o astro teria que estar pronto para poder se alinhar neste domingo contra a Real Sociedad na primeira de duas partidas que o conjunto disputará em seu feudo invencível, mas é cedo para dizer.

Ainda restam alguns dias para que se recupere. Os serviços médicos do Barça temiam que os sintomas de declínio que o jogador apresentava pudessem ser o início de um processo viral que acabasse em febre, o que o deixaria fora de combate por dois ou três dias, além de ficar francamente debilitado para a partida contra os "txuri urdin".

Em todo caso, até a tarde de quinta-feira, o Barça não teve dupla sessão de treinamento --o brasileiro apresentou febre. Poderia estar praticamente recuperado na sexta-feira; inclusive talvez treine com seus companheiros e no sábado entrasse na convocação.

A comissão técnica está ainda mais preocupada com o abatimento que o jogador demonstrou no Madrigal do que com seu estado físico. Ronaldinho trabalhou bem em Peralada, mas sua temporada no Brasil, onde passou 11 dias, teve jornadas com partidas amistosas e atos beneficentes que se acumularam, o que impediu um descanso completo.

A equipe necessita de Ronaldinho, não por sua capacidade de desequilibrar a partida (o que é evidente), mas por uma mera necessidade quantitativa. As tropas barcelonistas estão tão dizimadas --e esse continua sendo o cerne da questão, enquanto se continuam embaralhando nomes de jogadores, a maioria dos quais acabará em absolutamente nada-- que Rijkaard precisa da presença do brasileiro em campo.

O técnico barcelonista não poderá alinhar Deco, e seu lugar será ocupado quase certamente por Andrés Iniesta --agora, à diferença do primeiro turno do ano passado, os alinhamentos de Rijkaard são totalmente previsíveis--, que perdeu no Madrigal a titularidade que havia ganhado com a lesão de Giuly e que o francês lhe tirou no domingo.

Rijkaard fica sério

Sério mas sem gritar. Sério mas correto. Decidido mas diplomático. Frank Rijkaard colheu os frutos do treino mais forte que o habitual e transmitiu a seus jogadores esse ponto de agressividade e raiva que faltava à equipe, e que o próprio técnico salientou para o time na segunda-feira.

Tanto Rijkaard como seus auxiliares, Henk Ten Cate e Eusebio Sacristán, estavam muito concentrados, dando instruções aos jogadores e os incentivando o tempo todo.

"Ninguém fala, ninguém fala!", gritava o holandês quando via que os jogadores não se falavam nem se coordenavam bem. "Rápido, rápido, rápido!", animava Henk Ten Cate para que os jogadores continuassem jogando com velocidade, ao primeiro toque, com ritmo e sem dúvidas, pressionando.

Sim, exatamente o contrário do que se viu no Madrigal no último domingo [quando o Barcelona perdeu para o Villareal por 3 a 0].

Além disso, a equipe ensaiou chutes a meia distância, outro aspecto pouco visto nesse dia. O ardor demonstrado no campo da Masia não é sinal de nervosismo, mas sim de vontade de trabalhar e de ter superado o mau momento. O tom do próprio Rijkaard no fim da sessão não denotava outra coisa. Barcelona precisa da recuperação rápida de seu principal jogador Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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