Tony Blair quer uma data para sair do Iraque

Fernando Garcia
Em Bruxelas

Em um evidente gesto eleitoreiro, o gabinete do primeiro-ministro britânico divulgou nesta sexta-feira (21/01), por meio de vazamento ao jornal "Daily Telegraph", seu pedido a Washington de um calendário para a retirada das tropas do Iraque. Assim se enviaria aos iraquianos "um forte sinal político que reforçaria a autoridade do governo e debilitaria a rebelião", sugeriu Londres.

O presidente americano, George W. Bush, deverá se conformar com um apoio menos incondicional por parte de Tony Blair, pelo menos até as eleições na primavera.

Mais previsível, o ministro das Relações Exteriores francês, Michel Barnier, apostou em "uma nova relação" com os Estados Unidos, esclarecendo que "uma aliança não é uma submissão e deve se basear no respeito mútuo".

Os países europeus e as instituições comunitárias estão encantados com as belas mensagens de boa vontade e os propósitos de cooperação harmoniosa que Bush e a nova chefe da diplomacia americana, Condoleezza Rice, vêm repetindo desde o dia da reeleição presidencial.

Mas tanto os dirigentes da desconfiada velha Europa como alguns dos mais fervorosos aliados se mostram ansiosos para que Washington passe dos gestos aos atos e comece o quanto antes a dar provas dessa aparente disposição para uma política internacional mais construtiva. Há um verdadeiro clamor para que Bush e companhia se envolvam mais, e de verdade, na busca de uma solução para o conflito israelense-palestino.

A União Européia e seus sócios afirmam apreciar sinceramente os sinais positivos que a Casa Branca está enviando. Todos destacam a decisão de Bush de escolher a Europa como destino de sua primeira viagem oficial. O presidente irá a Bruxelas em 22 de fevereiro. Ali visitará pela primeira vez as instituições da UE, que assim como a Otan realizará uma cúpula extraordinária por esse motivo; no dia seguinte, Bush irá para a cidade alemã de Mainz, onde se encontrará com Gerhard Schröder, e, no dia 24, vai se deslocar para a capital da Eslováquia, Bratislava, para se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin.

O chanceler alemão mostrou-se extremamente conciliador horas antes da investidura do líder norte-americano. Disse que as diferenças pela invasão do Iraque estão "superadas" e são um capítulo ínfimo na história. Opinou que as relações transatlânticas melhoraram no último ano, "tanto no clima como na substância".

Schröder comemorou inclusive o fato de, na sua opinião, "o profissionalismo, e não a ideologia, dominar o novo gabinete" de Bush. Contudo, o chanceler não deixou de salientar a necessidade de que o presidente eleito "se envolva mais fortemente no Oriente Médio".

Neste apelo, coincidiram muitos outros governos, entre eles os da França, Reino Unido e Paquistão, assim como o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, para quem a verificação de um maior compromisso na pacificação daquela área é "um dos testes principais para as relações transatlânticas quanto à busca de soluções", segundo indicou ontem sua porta-voz, Cristina Gallach.

O alto representante para a política externa da UE considera que "a Europa já está na primeira linha" dos esforços pela paz entre Israel e Palestina, e agora é preciso que "Washington também esteja".

Solana recebeu favoravelmente a afirmativa de Condoleezza Rice de que "é o momento da diplomacia". Isso "nos parece perfeito: é o que a Europa sempre fez", afirmou a porta-voz, deixando claro que agora falta ver como essa declaração de intenções se substancia na prática.

Em todo caso, a receita de Solana para o segundo mandato de Bush é "pragmatismo antes de tudo" por parte da Europa. E "não falar tanto dos americanos mas com os americanos, para buscarmos juntos soluções para os problemas". Participação na guerra pode influenciar a eleição no Reino Unido Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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