Região de Santa Cruz quer se separar da Bolívia

Joaquim Ibarz
Na Cidade do México

Aos problemas políticos, sociais e econômicos que a Bolívia sofre há dez anos, soma-se agora o perigo de secessão territorial. Santa Cruz de la Sierra, coração econômico do país, se proclamou região autônoma e se dispõe a formar um governo provisório que lhe permita administrar seus recursos e ditar suas próprias normas em saúde, educação e outras áreas. Na capital boliviana, La Paz, teme-se que a autonomia seja um primeiro passo para a independência.

O líder dos indígenas aymara da Bolívia, Felipe Quispe, advertiu que, se Santa Cruz se tornar independente, a população aymara formará sua própria nação, com o que a Bolívia passaria a ter três presidentes.

"Se Santa Cruz se declarar autônoma, nós faríamos o mesmo, como nação indígena original. Creio que vamos ter três presidentes na chamada Bolívia", disse Quispe.

Depois de uma grande manifestação, Ruben Costas, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, que reúne sindicatos, empresários e organizações civis, foi proclamado governador, enquanto a população gritava a favor da autonomia. Há duas semanas ocorrem protestos e greves de fome de setores empresariais, sindicais, de cidadãos e universitários, entre outros, contra o aumento do combustível, que levaram à proclamação de autonomia para terminar com o sistema centralizado.

Ruben Costas convocou uma assembléia para a próxima sexta-feira, na qual será formado o primeiro governo provisório, e lembrou que Santa Cruz representa "mais de 25% da população e contribui com mais da metade dos impostos do país", além de ser o carro-chefe da economia boliviana. Diante de cerca de 40 mil pessoas, Costas anunciou que o governo autônomo funcionaria "de maneira imediata", se assim aprovar a assembléia do dia 28.

Santa Cruz é a maior província da Bolívia (370.621 quilômetros quadrados) e a mais próspera: gera um terço do PIB nacional com agricultura, pecuária e recursos energéticos como pontos principais. Tarija, a província que possui as grandes jazidas de gás natural, também pretende proclamar a autonomia para decidir sobre seus recursos.

O Comitê Cívico entregou à Câmara de Deputados 500 mil assinaturas pedindo a autonomia. Diante do agravamento da situação, o presidente Carlos Mesa ordenou a mobilização de militares em pontos estratégicos de Santa Cruz, como a refinaria e o aeroporto. Província mais rica pode determinar a fragmentação total do país Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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