Estudantes universitários rejeitam Igreja Católica

Alicia Rodríguez de Paz
Em Madri

Os universitários espanhóis se afastam da doutrina e da hierarquia católica, ao mesmo tempo que apresentam um baixo nível de religiosidade, segundo uma pesquisa realizada pela Fundação BBVA e divulgada nesta sexta-feira (4/3). Tanto os fiéis como não-fiéis se desvinculam claramente das teses da Igreja ao dar apoio a questões como a eutanásia, o aborto e o casamento entre homossexuais.

Apesar de quase um em cada oito entrevistados afirmar que foi educado na doutrina cristã, praticamente a metade (46,7%) salienta que não segue religião nenhuma, contra 45,3% que se reconhece como católico. Nesse estudo, do qual participaram 3 mil universitários de toda a Espanha, a proporção dos que se definem como "nada religiosos" chega a 52,4%.

A imensa maioria dos estudantes admite que não segue práticas religiosas. Questionados sobre com que freqüência acompanham os ritos, fora casamentos, batismos ou funerais, três em cada quatro dizem que participam de atos religiosos no máximo duas vezes por ano. Quase 60% dizem que não o fazem nunca.

A pesquisa revela um amplo consenso e apoio a temas que provocam debate social. Com pontuação de 0 a 10 --de absoluto desacordo a total acordo--, os entrevistados aprovaram os casais de fato (8,8), a utilização de técnicas de reprodução assistida (8,4), o casamento homossexual (7,9), ser pai ou mãe sem ter companheiro estável (7,8), a eutanásia (7,5), o aborto (7) e a adoção por parte de casais homossexuais (6,8). Somente rejeitam o consumo de drogas (4,3).

Segundo os investigadores que realizaram o estudo, a "baixa influência" da hierarquia eclesiástica fica evidente quando jovens católicos e não-fiéis concordam que "a Igreja Católica tem uma postura antiquada sobre as liberdades sexuais".

A Igreja Católica também figura como a instituição que inspira menos confiança entre os universitários. Com uma pontuação de 2,9 sobre 10, aparece muito atrás das empresas multinacionais (3,9), os governos autônomos (4,6) e estatal (4,8) e os meios de comunicação (4,9).

Por grupos profissionais, os níveis de confiança não melhoram. Em uma escala de 0 a 10, os religiosos aparecem em último lugar, com uma classificação de 2,7, atrás dos dirigentes políticos (3,4), os militares (3,8), os empresários (4,1) e os funcionários públicos (4,9).

Entre os mais bem considerados, encontram-se os médicos e cientistas (7,1), engenheiros (6,5), professores (6,3), professores universitários (6,2), ecologistas (6,1). Policiais, jornalistas e juízes ficam com 5,2.

Quanto a sua posição ideológica, quatro em cada dez universitários se definem de esquerda, 36% se consideram de centro e 8,7% de direita. Cerca de 15% preferem não se definir.

A pesquisa também revela uma rejeição ao fenômeno da globalização: quase a metade acredita que ela tem "mais conseqüências ruins que boas", contra 30% que destacam os benefícios que produz. Mas 26% não têm uma posição definida a respeito.

Também oferecem uma visão favorável sobre o papel da Europa, enquanto se mostram críticos com os Estados Unidos, sobretudo no que se relaciona a seu papel na ordem internacional.

A maioria (53%) considera boa ou muito boa a chegada de imigrantes à Espanha; 14% a consideram ruim ou muito ruim e quase um em cada três não a critica nem aprova. Entre as políticas de imigração que o governo deve adotar, 43% apostam em "deixar que venha quem quiser enquanto houver postos de trabalho disponíveis". Uma em cada três pessoas prefere definir "cotas de entrada", enquanto 16% defendem a liberdade de entrada dos imigrantes. Só 1,3% preferiram proibir a entrada de estrangeiros.

No que diz respeito a seus estudos e sua projeção profissional, até um terço dos pesquisados tem planos de continuar estudando depois de acabar a carreira. Outros 50% pretendem procurar trabalho, contra uma minoria que está disposta a viajar (6,2%) ou viver no estrangeiro (4,3%).

Sobre as áreas de ocupação, 25% afirmam que gostariam de entrar na administração pública, contra mais de 30% que desejam trabalhar em empresas espanholas (17,7%) ou multinacionais (13%).

Doze por cento preferem trabalhar por conta própria, enquanto uma porcentagem semelhante aposta em se dedicar ao ensino ou se dedicar à pesquisa. Uma parcela de 3,3% quer trabalhar para uma ONG. Quase quatro em cada dez estudantes de humanidades optam pelo ensino e mais de um terço dos alunos de ciências experimentais quer se dedicar à pesquisa.

Na hora de escolher a universidade na qual estão estudando, definem como primeiro critério a proximidade do centro. Em segundo lugar indicam o prestígio ou o nível acadêmico.

A ordem se inverte no caso dos estudantes de universidades privadas. Em geral mostram-se de acordo com o funcionamento, o sistema de acesso e avaliação. Suas críticas se concentram na formação prática oferecida, sobretudo nas universidades públicas, no custo da educação superior, na oferta de bolsas e ajudas ao estudo, a bolsa de trabalho e o ensino de idiomas. A imensa maioria tem pouca familiaridade com a qualidade do ensino em sua especialidade em outras universidades européias.

Setenta e três por cento dos universitários continuam morando na casa dos pais, mas esperam deixá-la antes de quatro anos. Justificam sua permanência no lar paterno porque têm "liberdade para fazer sua vida", ou têm razões econômicas para isso. Maioria dos jovens apóia a eutanásia, o aborto e o casamento gay Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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