Interesses comerciais motivam ação do premiê Zapatero na Venezuela

Joaquim Ibarz
Enviado especial a Caracas

Depois de vários desajustes diplomáticos e com uma agenda pouco definida, o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, participará nesta quarta-feira (30/01) de uma cúpula com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; e da Colômbia, Álvaro Uribe, na pujante cidade venezuelana de Puerto Ordaz.

A visita de Zapatero à Venezuela, que provoca receios em Washington e na própria comunidade espanhola no país, foi justificada por essa reunião que pretende propiciar algum tipo de cooperação regional, apesar das profundas diferenças políticas que separam Chávez de Uribe.

Segundo os analistas colombianos, os abraços durante a cúpula, que deverá ser pródiga em elogios e promessas de boa vizinhança, não resolverá os problemas "de fundo" entre Caracas e Bogotá, que continuam sem solução.

A participação de Zapatero em acordos regionais poderá dissipar tensões em um momento em que a América Latina assumiu especial relevância para seu governo. Em Caracas, Madri, Bogotá e Brasília se destaca a importância da reunião, que no entanto preocupa detratores internos e externos de Chávez pelo que ela representa de endosso a sua gestão.

A imprensa de Caracas publica cartas abertas de dirigentes políticos locais apelando a Zapatero para que não venda material bélico a Chávez e pedindo seu apoio para defender a ameaçada democracia venezuelana. Os membros da comunidade espanhola, com a qual o premiê se reunirá, lhe entregarão cartas coletivas explicando a difícil situação que atravessam.

A estada de Zapatero na Venezuela é marcada por fortes interesses comerciais. Está previsto que na quinta-feira sejam assinados contratos de venda de dois navios-tanques, quatro corvetas, quatro lanchas de vigilância costeira e aviões militares de transporte.

Por isso, fazem parte da delegação espanhola o ministro das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, o da Defesa, José Bono, e o da Indústria, Comércio e Turismo, José Montilla.

A visita de Zapatero tem especial importância para consolidar a crescente presença da companhia de petróleo Repsol na Venezuela, onde já extrai 200 mil barris; graças à boa sintonia de Zapatero com Chávez, é provável que obtenha novas concessões de exploração e prospecção.

Antoni Brufau, presidente da Repsol, se encontra em Caracas para estreitar relações comerciais e pessoais com as autoridades venezuelanas. Para opositores de Chávez, visita legitima o presidente do país Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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