Inter deve ficar um ano fora de torneios europeus

Da Redação
Em Barcelona

A Uefa tomará neste sábado (16/04) uma decisão exemplar e castigará duramente a Internazionale de Milão, expulsando o time por no mínimo um ano de todas as competições européias, segundo se deduz da tabela de sanções do Comitê de Controle e Disciplina do órgão máximo do futebol europeu, presidido pelo catalão Josep Lluís Vilaseca.

A gravidade dos fatos ocorridos durante a partida entre Inter e Milan nas quartas de final da Liga dos Campeões e a reincidência da equipe da Inter, um "habitué" na lista de multados por exibição de rojões nas arquibancadas, joga contra o clube azul-e-negro.

A comissão presidida por Vilaseca analisará esta tarde a ata da partida e o relatório do delegado da Uefa e tomará uma decisão tanto sobre o resultado definitivo da partida (1 a 0 para o Milan no momento da suspensão, 26 minutos do 2º tempo), como sobre os graves incidentes e lançamentos de rojões que chegaram a atingir o goleiro visitante, Dida, do Milan.

O campo da Inter sofreu um encerramento de partidas em duas ocasiões. A primeira em 1983, depois de um choque da Recopa contra o Real Madrid no qual houve um lançamento maciço de objetos. A segunda, mais recente, foi em fevereiro de 2001, depois de partida contra o Alavés no qual se atiraram ao gramado cadeiras e garrafas.

Em ambos os casos, o castigo da Uefa se limitou ao fechamento do campo por duas partidas, mas nessa oportunidade tudo indica que ela deixará a Inter no mínimo um ano excluída de qualquer competição européia.

Apesar das constantes multas por exibição de rojões e do iminente castigo exemplar que prepara, a Uefa está consciente de que a única solução definitiva passa por uma firme atuação das autoridades italianas.

Nesse sentido, o ministro do Interior italiano, Giuseppe Pisanu, ficou ao lado do presidente da Federação Italiana de Futebol, Franco Carraro, que anunciou as primeiras medidas que serão aplicadas de forma imediata.

Entre os objetivos de Carraro está a suspensão imediata de qualquer partida da Liga Italiana em caso de lançamento de rojões. Carraro acrescentou que, nesses casos, deve-se dar por derrotada por 3 a 0 a equipe da torcida considerada responsável pelos incidentes.

Giuseppe Pisanu confirmou seu apoio a essas medidas ao fim de uma reunião que durou aproximadamente uma hora e meia, da qual também participaram o presidente do Comitê Olímpico Italiano, Gianni Petrucci, e o chefe da polícia, Gianni de Gennaro, entre outras autoridades.

A justiça italiana também parece disposta a reagir com rapidez. Ontem mesmo anunciou que um dos torcedores da Inter presos pela suspensão da partida em Milão foi castigado a ficar três anos sem entrar nos estádios. Esse jovem, um operário de 21 anos morador em Lodi, é um dos quatro detidos pela polícia. Assim como os demais, deverá ser processado pelos incidentes.

Outro detido, um homem de 26 anos, é o mesmo que participou do lançamento de uma motocicleta da arquibancada central para a imediatamente inferior em um encontro da Inter contra o Atalanta em 6 de maio de 2001.

Árbitro crê que foi planejado

Markus Merk, o árbitro alemão que dirigia a partida entre a Inter e o Milan, acredita que foram os torcedores da Inter que procuraram "deliberadamente" que a partida não chegasse ao fim.

"Tratava-se de uma ação totalmente dirigida para interromper a partida", comentou Merk em declarações publicadas ontem pelo jornal alemão "Stuttgarter Zeitung".

Merk descreve suas sensações durante a série de incidentes e diz que, no início, pensava-se que tudo aquilo deveria acabar e, no final, "fica apenas a surpresa de quantos rojões puderam entrar no estádio" sem que ninguém controlasse.

Em outra entrevista, para a revista "Kicker", Merk insiste que episódios como o de San Siro não são fruto do acaso. Segundo o árbitro, tentou-se reiniciar a partida "depois de uma difícil decisão", pensando que a situação estaria sob controle. Mas voltaram a chover rojões sobre o campo.

"Primeiro ficamos 15 minutos no gramado pensando que o material ia acabar, mas não acabava nunca. Durante a interrupção tentou-se de tudo para restabelecer a segurança. Para nós, foi uma decisão difícil voltar a sair. Depois de um minuto tudo voltou a começar", comenta o árbitro.

Merk admite que se sentiu impotente, mas descarta abandonar a arbitragem, decisão que tomou o árbitro sueco Anders Frisk depois das ameaças de morte que recebeu pela partida entre Chelsea e Barcelona. Uefa pune clube milanês devido a incidente em jogo contra o Milan Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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