Prefeito desafia o Congresso e reassume o governo da Cidade do México

Joaquim Ibarz
Na Cidade do México

Em um desafio ao Congresso, que o removeu do cargo, mais fortalecido que nunca, Andrés Manuel López Obrador voltou a seu gabinete de prefeito da Cidade do México disposto a dar o golpe final na manobra dos grandes partidos nacionais, PRI e PAN, para impedir sua candidatura à presidência nas eleições de 2006.

Rubén Aguilar, porta-voz do presidente Vicente Fox, salientou que a volta de López Obrador à prefeitura "é uma provocação e uma violação das leis", porque continua vigente a decisão aprovada pela Câmara dos Deputados em 7 de abril na qual ele foi cassado e removido do cargo. "A decisão aprovada pela Câmara dos Deputados continua válida", salientou.

A marcha de centenas de milhares de pessoas (a prefeitura afirma que participaram 1,2 milhão) foi um plebiscito a favor de López Obrador. O prefeito deu uma demonstração de força nunca antes vista no México, dirigida ao presidente Fox e aos partidos que pretendem acuar López Obrador pela via jurídica, mas na mídia o prefeito não pára de vencer batalhas.

López Obrador voltou ao cargo de chefe do governo do Distrito Federal com grande apoio dos cidadãos. Os comícios que acaba de fazer em Villahermosa e Guadalajara foram um sucesso em termos de convocação, que é como seu partido, o PRD, sempre mediu suas campanhas. Mas as pesquisas recentes mostram também que o processo judicial só fez fortalecer López Obrador.

Sua popularidade está subindo. Hoje tem 10 pontos de vantagem sobre seu mais próximo concorrente, Roberto Madrazo, do PRI, enquanto Santiago Creel, pré-candidato do PAN, partido do governo, que carregou boa parte do custo político da cassação, despencou e está quase 20 pontos abaixo de López Obrador.

O prefeito da capital mexicana sobe nas pesquisas graças à torpeza de seus adversários. De fato, as tentativas do PRI e do PAN para tirar seus direitos políticos por um delito menor se transformaram em um bumerangue, ao dar maior popularidade e lhe abrir o caminho para a presidência.

Hoje López Obrador é o grande favorito para ocupar a residência de Los Pinos no próximo ano. E não o será por méritos próprios de um populista com um programa muito discutido, mas graças a seus adversários. Não o será devido a seu polêmico programa, mas às patadas que lhe deram.

Porque o México ama seus mártires. Suas vítimas. Todos os que enfrentaram a perseguição e a ameaça arbitrária. O prefeito está sendo entronizado graças a seu discurso de assumir as causas do povo e lutar em seu nome.

Os deputados do PRD, PT e PVEM na Câmara qualificaram a marcha de domingo como "o movimento político-cidadão mais importante da história do México" e salientaram que a mobilização confirmou duas realidades: que a defesa de López Obrador não se limita a ele nem a seu partido, e que as manobras do governo Fox e da promotoria só fortalecem o caminho do chefe de governo do Distrito Federal para a presidência em 2006.

Na sexta-feira à noite, um juiz federal recusou o auto de indiciamento de López Obrador que a promotoria apresentou, por defeitos de forma. Diante dessa medida, o prefeito reassumiu ontem suas funções, que teve de deixar depois que o Congresso cassou seu mandato. López Obrador argumentou que legalmente continua sendo o chefe de governo da capital mexicana. Para porta-voz de Fox, o retorno é "provocação e violação das leis" Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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