Estados Unidos se envolvem diretamente na guerra interna da Colômbia

Joaquim Ibarz
Na Cidade do México

O Plano Patriota, a gigantesca e ambiciosa operação militar da Colômbia e dos Estados Unidos para "tirar da selva" os chefes da mais antiga guerrilha do mundo, completa um ano com "resultados modestos". Embora o governo de Álvaro Uribe ainda não tenha apresentado um relatório oficial da dispendiosa mobilização, os analistas salientam que não é animador.

Cercado de hermetismo, o Plano Patriota mantém há um ano 18 mil homens em quase 300 mil quilômetros quadrados de território de selva impenetrável, limítrofes com o Equador e o Brasil, onde a guerrilha Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) montou suas bases há 40 anos.

No princípio era uma estratégia ultra-secreta com a qual se tentava dar o golpe de misericórdia nas Farc em sua própria retaguarda. Para o presidente Uribe, o Plano Patriota é a batalha final contra a rebelião.

A operação vincula pela primeira vez sem disfarces os Estados Unidos à luta contra a rebelião. Os militares americanos nunca haviam se envolvido de maneira tão direta no conflito interno colombiano.

Manter o Plano Patriota --uma continuação do chamado Plano Colômbia, iniciado há cinco anos com a finalidade de acabar com a produção de cocaína e heroína e atacar a guerrilha-- custa cerca de US$ 300 milhões por ano, segundo cálculos modestos.

Os Estados Unidos contribuem com US$ 100 milhões em treinamento, armas, suprimentos, inteligência, transporte e sofisticados equipamentos de comunicação. Washington enviou 800 de seus soldados mais experientes e fornecedores tarimbados, que têm um papel chave no planejamento e suporte logístico das operações.

As Farc, segundo sua página na Internet, estão investindo US$ 6,5 milhões de seus inesgotáveis recursos provenientes do narcotráfico, extorsão e seqüestro, no que chamam de Plano Resistência para conter o avanço do exército e demonstrar que, diante do poder das armas sofisticadas, têm capacidade suficiente para resistir, lançando ofensivas em outras partes do país.

Uribe afirma que o Plano Patriota seguirá adiante porque está dando frutos. As Farc estimam que o Plano Resistência também não deve ser mudado. Em meio a essas visões discrepantes está uma realidade de profunda ineficácia, um fracasso contínuo que despeja no país seus custos e conseqüências representados por violência, grandes orçamentos para a guerra, violação dos direitos humanos, aprofundamento da crise humana e maior pobreza.

Os 18 mil soldados estão mergulhados em uma guerra irregular. Embora Uribe e as Farc cantem vitória cada um à sua maneira, os analistas concordam que não há vencedores. María A. Villamizar salienta no jornal "El Tiempo" que "o presidente Uribe não está ganhando, e sua aposta ligada à reeleição presidencial o coloca sob pressão por resultados que convençam a opinião pública de que não se gasta pólvora em galinhas". Plano Patriota contra a guerrilha completa um ano sem resultados Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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