Berlusconi anuncia que tentará reeleição em 2006

Maria-Paz Lopez
Em Roma

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, confirmou nesta quinta-feira (30/06) que se apresentará para as eleições gerais de 2006 como candidato da centro-direita, com a convicção de ser reeleito. "Eu sou um recurso, e não um problema", disse Berlusconi. "E se há alternativas possíveis e melhores que possam trazer mais votos para nossa coalizão, estou disponível."

Depois de um encontro com líderes de outros partidos que compõem a coalizão de centro-direita Casa das Liberdades (CdL), Berlusconi afirmou aos jornalistas: "Hoje nós dissemos: vamos deixar de lado esse problema porque não existe, o candidato da CdL em 2006 deve ser Silvio Berlusconi".

O premiê italiano liquidou assim as sugestões feitas nas últimas semanas, inclusive por ele mesmo, sobre sua suposta renúncia à candidatura em prol da coalizão.

Berlusconi convocou ontem Gianfranco Fini, ministro das Relações Exteriores e líder da Aliança Nacional, e Pierferdinando Casini e Marco Follini, dirigentes da UDC (ex-democratas-cristãos), para lhes apresentar as últimas pesquisas, que segundo Berlusconi o fazem pensar em uma vitória em 2006 "com uma margem até superior à de 2001".

Depois de diversas pesquisas que davam vantagem à União, a galáxia de centro-esquerda e esquerda articulada em torno de Romano Prodi, as pesquisas divulgadas nesta quinta indicam um equilíbrio de forças: se as eleições fossem realizadas agora, a centro-direita obteria 47,9% dos votos e a oposição, 48%.

Segundo Berlusconi, a Casa das Liberdades com ele como candidato a primeiro-ministro tem "excelentes possibilidades, na realidade seguras, de vencer" em 2006.

Os resultados desastrosos da centro-direita nas eleições regionais de abril passado se explicam, no entender de Berlusconi, porque "os aumentos da esquerda ocorreram somente nas chamadas regiões vermelhas, onde antes também venciam. Portanto, que ganhem com 55% ou com 65%, não faz diferença alguma".

O primeiro-ministro aproveitou para matizar sua proposta de partido único de centro-direita, que havia deixado transparecer e que especificou no último sábado ao propor que no final de julho se organize um comitê constituinte para a "nova casa comum".

Mas ele precisa convencer parceiros esquivos que estão pensando no assunto (Aliança Nacional e UDC) e outro aliado totalmente contrário (a Liga do Norte, de direita).

No sábado disse que era preciso decidir se esse partido estaria pronto "antes ou depois das eleições". Na quinta, depois da conversa com Fini, Casini e Follini, Berlusconi relativizou o momento: trata-se agora de "confluir todos no partido único depois do momento eleitoral de 2006".

Berlusconi anunciou publicamente que se apresenta para a reeleição no mesmo dia em que a Comissão Européia chamava a Itália para reduzir seu déficit abaixo de 3% do PIB em dois anos, uma das dores de cabeça do governo. "Sou um recurso, não um problema", afirmou o conservador premiê Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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