Maioria dos espanhóis apóia negociação para que o ETA abandone as armas

Da Redação
Em Santander

Mais de 60% dos espanhóis são a favor de que o governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) abra um processo de negociação com a ETA se a organização terrorista decidir deixar as armas, 12% apóiam negociar sem qualquer tipo de condição e 36% rejeitam essa possibilidade em qualquer cenário.

O apoio majoritário à negociação é compatível com o pessimismo geral sobre o fim do terrorismo. Além disso, a maioria defende a ilegalização do Herri Batasuna [União da Esquerda Basca] e considera conveniente que o Executivo de Zapatero também promova a ilegalização do Partido Comunista das Terras Bascas (EHAK).

Essas são algumas das principais conclusões da pesquisa "Os espanhóis diante do terrorismo e suas vítimas", elaborada pela equipe do Euskobarómetro, dirigido pelo professor Francisco José Llera, que foi apresentada nesta sexta-feira (5/8) na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em Santander (norte da Espanha).

A vice-primeira-ministra, María Teresa Fernández de la Vega, disse no Chile que o conteúdo da pesquisa "corresponde à política do governo". Ela reiterou que só haverá diálogo se a ETA decidir de forma "claríssima, rotunda e contundente" depor as armas.

Da pesquisa também se depreende que um número maior de espanhóis tem opinião positiva (48%) do que negativa (36%) sobre a política antiterrorista do governo socialista, mas não se percebe um entusiasmo geral em relação à mesma e observam-se muitas diferenças conforme a ideologia.

Assim, os eleitores do PSOE, da Esquerda Unida (IU) e de partidos nacionalistas aprovam essa política, enquanto os simpatizantes do Partido Popular (PP) são claramente críticos.

Mais clara é a opinião popular em torno de uma eventual negociação com a ETA. Pouco mais de 61% dos entrevistados são favoráveis à abertura de um processo de negociação: 49% condicionam a mesma a que a ETA decida abandonar as armas e 12% consideram que é preciso negociar sem condições prévias. Diante dessa opinião, 36% dos espanhóis rejeitam totalmente a negociação.

A população mostra-se muito dividida diante da possibilidade de oferecer medidas de perdão ou reinserção aos presos da ETA que se arrependerem e rejeitarem a violência. Quase 53% apóiam as medidas de reinserção social para esses detidos e 44,3% acreditam que todos os terroristas devem cumprir integralmente suas penas.

Uma divisão semelhante ocorre quando se perguntou aos espanhóis se apoiariam a concessão de contrapartidas políticas consensuais entre os partidos se a ETA abandonar definitivamente suas atividades: 46,5% seriam a favor e 43,5% contra. A opinião positiva é majoritária entre os eleitores de todos os partidos, com exceção do PP.

A luta antiterrorista também é objeto do estudo, e também nessa área o PSOE se sai melhor que o PP. Os que acreditam que está um pouco melhor que antes são 35,2%; os que pensam que está igual, 25%; os que opinam que está um pouco pior, 16,5%; os que dizem que está muito pior, 14%; e os que responderam que está muito melhor, 6,6%.

Quanto ao terrorismo internacional, mais de 87% expressam bastante ou muita preocupação. Ao serem questionados se consideram que há mais segurança depois das guerras do Afeganistão e do Iraque, 68,6% pensam que não e somente 19,2% se sentem mais seguros.

A pesquisa também pergunta pelas possíveis vinculações da ETA: 49,8% dos espanhóis pensam que não existe uma vinculação entre o grupo e os terroristas islâmicos, contra 39,4% que opinam afirmativamente. Além disso, 62,5% dos consultados acusaram o governo de José María Aznar de imprevisão ou de não saber evitar o risco do terrorismo islâmico, contra 31,5% que pensam o contrário.

Finalmente, a pesquisa perguntou sobre a acusação de Rajoy a Zapatero sobre uma suposta "traição aos mortos" do terrorismo: 64,4% discordam dessa afirmação e 21,8% a apóiam.

Ilegalidade da Ehak

A pesquisa apresentada ontem em Santander se interessa também pela opinião dos cidadãos sobre a ilegalização do Batasuna e a possível ilegalização do Ehak. A maioria (57,2%) dos espanhóis considera acertadas as medidas judiciais tomadas contra Batasuna e outras organizações afins, contra 30,7% que as consideram equivocadas.

Além disso, quase 55% dos pesquisados acreditam que o governo de José Luis Rodríguez Zapatero deveria propor a ilegalidade da Ehak. Sempre em um cenário de fim da violência, uma minoria estaria disposta a aprovar a realização de um referendo sobre o futuro do País Basco, já que quase seis em cada dez espanhóis acreditam que uma consulta desse tipo, em vez de contribuir para solucionar o problema, provocaria maior divisão e não resolveria nada.

Setenta e cinco por cento dos espanhóis dizem não à independência do País Basco e um terço seria favorável às duas propostas: referendo e independência. 55% da população consideram distante o fim de atos terroristas Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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