Alemanha cogita a hipótese de coalizão SPD-CDU

Marc Bassets
Em Berlim

Algumas semanas atrás, Angela Merkel, candidata da oposição democrata-cristã nas eleições da Alemanha de 18 de setembro próximo, parecia ter tudo a seu favor: as pesquisas previam uma vitória esmagadora --e algumas até por maioria absoluta--, e ela e seus assessores já agiam como se estivessem governando.

Em poucos dias, a euforia nas fileiras conservadoras deu lugar a um otimismo prudente. Ninguém discute na Alemanha que a União Democrata Cristã-União Social Cristã (CDU-CSU) de Merkel, partidária de mais reformas econômicas para tirar o país da estagnação, derrotará o Partido Social-Democrata (SPD) do chanceler Gerhard Schröder. Outra coisa é que consiga governar como pretende: aliada ao pequeno Partido Liberal, tradicional partido de articulação no tempo da Alemanha Ocidental.

Quase a metade dos eleitores está indecisa, segundo as últimas pesquisas, que dão uma maioria muito apertada para a coalizão liberal-conservadora. Se não alcançar essa maioria, a CDU-CSU poderia ser obrigada a formar uma coalizão com o outro grande partido, o SPD, como já ocorreu entre 1966 e 1969.

Os partidários de uma grande coalizão lembram que nesse período o SPD e a CDU-CSU concordaram com reformas decisivas. Seus opositores advertem que a grande coalizão deixou a Alemanha sem uma oposição forte. Isso abriu terreno para a oposição extraparlamentar, cujos elementos mais radicais logo se dedicaram ao terrorismo.

"Com a CDU-CSU não haverá nenhuma grande coalizão", afirmou nesta quarta-feira ao La Vanguardia Ronald Pofalla, vice-presidente da bancada democrata-cristã no Parlamento.

Mas importantes ministros social-democratas, conscientes de que são mínimas as probabilidades de que Schröder evite a derrota, começam a tomar posição diante de uma possível coalizão social-conservadora. Em entrevista à edição de domingo do jornal "Frankfurter Allgemeine", o presidente do SPD, Franz Müntefering, sugeriu que prefere uma aliança com a CDU-CSU a deixar o poder.

O surgimento do Partido da Esquerda, uma aliança entre pós-comunistas da antiga Alemanha Oriental e social-democratas decepcionados, está desestabilizando a paisagem. As pesquisas lhe dão 10% dos votos, acima dos partidos Verde e Liberal. Pode ser o principal beneficiário do descontentamento popular com os cortes que o governo de social-democratas e verdes aplicou no generoso Estado do bem-estar alemão.

Por outro lado, ao entrar uma nova força no tabuleiro, é mais difícil para a CDU-CSU e os liberais alcançarem a maioria absoluta no Parlamento.
A titubeante campanha eleitoral de Merkel também põe em risco a desejada maioria liberal-conservadora.

A candidata começou em julho lançando uma proposta honesta mas difícil de vender: um aumento do imposto sobre valor agregado. Enquanto isso, Edmund Stoiber, candidato da CDU-CSU nas eleições de 2002, lançava ataques contra os alemães do leste, que lhe valeram críticas de todos os lados. Agora seus dirigentes discutem se o imposto de renda deve ser reduzido de forma drástica ou paulatina. Eleição já determinou, em 1969, a união dos partidos, maiores rivais Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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