Quem salvará Schröder de derrota desta vez?

Marc Bassets
Em Berlim

Rios transbordantes, estradas fechadas, porões inundados, sacos de areia para conter a água... algumas imagens que a televisão alemã transmite nestes dias parecem tiradas de três verões atrás, quando as maiores inundações das últimas décadas atingiram algumas áreas do leste da Alemanha.

As inundações de hoje na Baviera, no sul do país, não parecem por enquanto tão graves. Mas há algo mais em comum: naquela época, como agora, a Alemanha estava em campanha eleitoral. Então, a rápida reação às inundações por parte do chanceler social-democrata Gerhard Schröder, que logo calçou as botas e foi fotografado nos locais inundados, o ajudou a superar os prognósticos adversos e vencer.

Em maio passado, Schröder --enfraquecido pelas sucessivas derrotas de seu partido em eleições regionais, pelo alto desemprego e pela impopularidade de suas reformas econômicas-- anunciou sua intenção de antecipar as eleições. Hoje os prognósticos para ele são ainda mais adversos que três anos atrás. Todas as pesquisas dão à candidata democrata-cristã, Angela Merkel, uma vantagem praticamente insuperável.

Há algumas semanas os partidários mais otimistas de Schröder --cada vez restam menos-- esperavam um milagre que salvasse o chanceler de uma derrota que agora aparece mais garantida do que em 2002. Só uma inundação ou uma guerra salvarão o chanceler, respondem com ironia seus adversários.

Na última campanha, sua oposição à invasão do Iraque, que então se preparava, também o ajudou a ganhar. Desta vez Schröder advertiu que a Alemanha não apoiará uma guerra contra o Irã, mas não funcionou. Até a oposição lhe deu razão.

Em todo caso, as inundações já chegaram e alteraram o ritmo da campanha. Na terça-feira o primeiro-ministro do Estado bávaro, o conservador Edmund Stoiber, esteve nos locais afetados. Como dirigente da Baviera era sua obrigação, mas sem dúvida tinha em mente a experiência de três anos atrás. Ele, e não Angela Merkel, era o candidato da oposição democrata-cristã. E em vez de se visitar as inundações, como fez Schröder, decidiu não interromper suas férias, uma decisão fatídica para suas aspirações eleitorais.

Nesta quinta-feira, os democrata-cristãos e o pequeno Partido Liberal anularam uma reunião na qual previam apresentar à opinião pública a coalizão de governo que Merkel e os liberais desejam que substitua a atual, formada por social-democratas e verdes.

E o chanceler Schröder? Sua posição é delicada. Não pode visitar as cidades inundadas porque pareceria que quer ganhar créditos. "Em situações como esta, o que conta não são as questões políticas, mas a união para ajudar as regiões afetadas", disse o chanceler, que ofereceu toda a ajuda necessária.

Em entrevista à mídia da Baviera, porém, Schröder acusou o governo conservador local de estar mal preparado para as inundações devido aos cortes orçamentários. Hoje está previsto um comício na cidade de Augsburgo, e Schröder deverá se aproximar do lugar da catástrofe. Nem inundações nem o "não" à guerra no Irã não alteram previsão Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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