CDU já aclama Merkel como chanceler alemã

Marc Bassets
Em Dortmund

Para muitos, cada vez mais, ela já é chanceler. Ainda faltam três semanas para as eleições gerais alemãs e por enquanto é só candidata. Mas milhares de militantes democratas-cristãos aplaudiram Angela Merkel nesta segunda-feira (29/08) em Dortmund (centro da Alemanha) como se ela houvesse sucedido ao social-democrata Gerhard Schröder no governo federal.

Havia euforia em Dortmund e muitos gritos de "Angie! Angie!", apelido utilizado por seus simpatizantes. Todas as pesquisas prevêem uma ampla vantagem da União Democrata Cristã-União Social Cristã da Baviera (CDU-CSU) contra o Partido Social-Democrata (SPD) de Gerhard Schröder.

Ninguém duvida da vitória conservadora, e menos no Westfallen Halle, o pavilhão desportivo onde os democratas-cristãos realizaram ontem uma convenção para consagrar Angela Merkel, 51 anos, como sua candidata.
"No ambiente, nota-se que o país precisa de uma mudança", dizia entre discursos Regina Seeringer, 56, delegada de Osterode, no centro da Alemanha.

Merkel falou durante 50 minutos para um público concentrado. Sua mensagem: a Alemanha, depois de sete anos de coalizão entre social-democratas e verdes, precisa de uma mudança porque sofre sua "pior crise" econômica e social desde o pós-guerra.

"Como em 1949, a Alemanha encontra-se diante de mudanças decisivas. Em 1949 tratava-se da reconstrução de nosso país. Agora trata-se da renovação de nosso país", disse Merkel antes de lembrar que Schröder deixou como herança quase 5 milhões de desempregados e uma economia estagnada.

Um discurso sensacionalista, como afirma Schröder? A Alemanha também não é um dos países com maior assistencialismo do mundo e com as empresas que mais exportam? Para a dirigente democrata-cristã Annette Schavan, que assistia ao congresso, "não é pessimismo, é descrever a realidade com fatos".

Dortmund fica na Renânia do Norte-Vestfália, bastião tradicional do SPD até que, em maio passado, a CDU ganhou as eleições regionais. E foi a derrota social-democrata nessas eleições que levou Schröder, enfraquecido por suas impopulares medidas sociais, a convocar eleições antecipadas.

Merkel, que seus adversários acusam de propor receitas neoliberais, salientou ontem outro aspecto de suas propostas: a defesa da responsabilidade individual acima do coletivismo, da sociedade civil mais que do Estado. Idéias que, segundo alguns de seus biógrafos, se explicam porque ela passou mais da metade da vida sob o regime ditatorial da Alemanha Oriental.

A candidata exigiu dos alemães --dos idosos, jovens e adultos, de pequenas e médias empresas, dos poderosos e dos fracos, dos sindicatos e das empresas-- que contribuam com um esforço coletivo para que "a Alemanha volte a avançar", apelando um pouco para o espírito de sacrifício que levantou o país das ruínas da Segunda Guerra Mundial e permitiu o milagre econômico.

Edmund Stoiber, primeiro-ministro da Baviera e candidato democrata-cristão derrotado nas eleições de 2002, recebeu sonoros aplausos quando criticou a entrada da Turquia na União Européia e citou os males da Alemanha multicultural.

Merkel, aclamada com entusiasmo, consagrou-se como líder da centro-direita alemã. Nascida na Alemanha Oriental, protestante, divorciada e sem filhos, não foi fácil se impor em um partido dominado por homens e com forte componente católico.

Mas a candidata sabe que ainda não ganhou. Parece mais prudente que seus seguidores. Se não conseguir uma maioria ampla, poderá ser obrigada a formar uma coalizão com o SPD, em vez do pequeno Partido Liberal, como ela deseja. Por isso, em Dortmund concluiu seu discurso com uma advertência: "Cada voto é importante". Para candidata de oposição, país sofre "pior crise" desde pós-guerra

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