"Alegria e felicidade que o Barça me dá não têm preço", diz o atacante Ronaldinho

Juan Bautista Martínez
Em Barcelona

Como ser feliz, por Ronaldinho. Se o brasileiro tivesse escrito uma carta aberta aos sócios do Barça para felicitá-los por sua renovação, a teria começado com essas palavras. Porque o craque falou de sonhos, alegrias, desejos, títulos, história, ambições. Falou de tudo o que parece um elixir maravilhoso para o torcedor e, inteligentemente, não falou muito do que é mais difícil de digerir para os sócios: dinheiro.

No futuro se verá como termina esse casamento entre a estrela e o clube, cuja data de finalização foi estabelecida em 2010. Nesta sexta-feira (2/9), Ronaldinho se esforçou para expor até a saciedade uma declaração de amor às cores azul e grená e a uma cidade, Barcelona.

"A alegria e a felicidade que o Barça me dá não têm preço. Aqui não me falta nada. Melhor é impossível", proclamou. Além disso, poderá embolsar cerca de 60 milhões de euros nos próximos cinco anos.

Vestindo uma camiseta verde-esperança, o brasileiro presenteou os ouvidos dos torcedores ao declarar que seu pensamento sempre foi unicamente continuar no Camp Nou.

"As conversas foram tranqüilas. Nunca me imaginei fora do Barça, sempre me vi aqui, agora esse contrato é um sonho realizado", disse. Segundo ele, não demorou um segundo para analisar possíveis ofertas de outros destinos. "Só pensava no Barça. As outras ofertas não faziam sentido para mim. Nem as olhei", declarou Ronaldinho.

Diante de um possível acerto para garantir seu futuro em médio prazo, o jogador respondeu com fidelidade à sua filosofia de vida. Divertir-se, divertir e ganhar.

"Não vou mudar em nada. Esse contrato tão longo reforça minha motivação para trabalhar com o objetivo de construir uma história muito bonita em Barcelona. Quero fazer uma história cheia de títulos para o Barça."

Ronaldinho parecia franco, brilhante e desinibido em sua declaração de intenções. Outra coisa foi quando lhe perguntaram sobre os detalhes do contrato que assinou na última quarta-feira à noite. As questões delicadas não são com ele. Às vezes se safa com um sorriso, outras com uma brincadeira, ou ainda escudando-se em seu irmão e sua mãe com um drible de primeira qualidade.

A tudo isso ele recorreu para não revelar as condições econômicas do acordo ou sobre os direitos de imagem. "Também não sei por que demoramos tanto para assinar (risos). A verdade é que era uma questão de sentarem para escrever as coisas e de que os advogados chegassem do Brasil", simplifica. Condições econômicas? "Perguntem ao meu irmão ou minha mãe. Eu só jogo futebol", afirmou.

Ronaldinho também não entrou em polêmica quanto à duração do contrato. Podia ter sido até 2014, mas o pacto quase vitalício fica reduzido para 2010, prorrogável por acordo mútuo. "Existiam as duas opções. No final se concordou em 2010 e é perfeito para todos."

O jogador salientou que a operação 2014 teria surgido depois de declarações dele, nas quais afirmou de coração que assinaria por mais dez anos. Em pouco mais de duas temporadas, seu irmão e representante, Roberto de Assis, negociou com o clube três contratos. Com um humor excelente, Ronaldinho não descartou que no final da próxima temporada se negocie o quarto.

Disse isso meio a sério, meio brincando, mas consciente de que todos os novos acordos que assina sempre o beneficiam. "Tudo isso me faz sentir valorizado por meu trabalho", disse, antes de voltar a se conter. Uma cláusula liberatória caso as coisas vão mal? "Prefiro não pensar nunca no mal. Penso em coisas boas." Como em demonstrar que o empate em Vitória foi um acidente. "Sabemos o que é preciso fazer para continuar ganhando." Contrato "blinda" a estrela da seleção e do Barcelona até 2010 Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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