Chávez apóia Obrador e irrompe forte no México

Joaquím Ibarz
Correspondente no México

Roberto Madrazo, o candidato presidencial do PRI, e o ex-chanceler Jorge Castañeda denunciam a intervenção de Hugo Chávez em apoio a López Obrador, candidato do PRD, partido que apóia a Venezuela em seu embate com o México.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irrompeu com força na campanha eleitoral mexicana. Ao provocar o confronto com Vicente Fox, o presidente venezuelano se transformou em um personagem polêmico da política interna deste país. O Partido da Revolução Democrática (PRD), que apresenta Andrés Manuel López Obrador como candidato presidencial, deu uma despedida de herói ao embaixador venezuelano, Vladimir Villegas, que se viu forçado a deixar o México.

Vários analistas mexicanos salientam que Hugo Chávez e seu compadre Fidel Castro vão apoiar a fundo a candidatura de López Obrador, que consideram um potencial aliado. O primeiro antecedente foi em 2004, quando o então embaixador venezuelano no México, Lino Martínez, questionou o presidente Fox, elogiou López Obrador e citou a revolução bolivariana como exemplo para o México. Agora é o PRD que apóia Chávez em seu confronto com Fox.

O interesse de Havana e de Caracas na América Latina se concentra no México e, em especial, na derrota da direita no poder e no triunfo de López Obrador.

"Está claro que Chávez e Castro apostam em incluir o México, com uma eventual vitória de López Obrador, no corredor ideológico contra o império do norte", comenta Ricardo Alemán no jornal "El Universal". "Isso explicaria a simpatia e até o suposto apoio que Cuba e Venezuela manifestam a López Obrador", destaca o analista.

Em declarações a este correspondente, Roberto Madrazo, o candidato presidencial do PRI, acusou Chávez de interferir nas eleições mexicanas. "Estou convencido de que Chávez quer intervir em nosso processo eleitoral, como fez no Equador e na Bolívia, não tenho dúvida. Seus funcionários já entraram em contato com López Obrador", indicou Madrazo.

"López Obrador e Chávez têm muitas semelhanças. Vejo em ambos um autoritarismo, uma posição irredutível como detentores da verdade absoluta; uma confrontação permanente com o capital, uma política social assistencialista e uma falta de respeito pela legalidade", salientou o líder do PRI.

De sua parte, Jorge Castañeda, ex-ministro das Relações Exteriores mexicano, afirmou que Chávez "insulta Fox e o povo mexicano no quadro de um processo de ingerência venezuelana no processo eleitoral do México".

"Chávez está orquestrando uma campanha em toda a América Latina para se intrometer nos processos eleitorais da Bolívia, Colômbia, México e Nicarágua", acrescenta Castañeda. "O presidente venezuelano atua na América Latina movido por quem sempre balança o berço neste continente, que é o senhor Fidel Castro."

Para Hugo Chávez cai bem o confronto com o presidente Fox, pois lhe permite manter um perfil de suposta liderança regional revolucionária, confrontador de imperialismos e lacaios; no fundo, pretende barrar o caminho de Fox no Mercosul.

Desbocado e fanfarrão, consolidado politicamente na frente interna e apoiando-se nas muletas que lhe garantem seus petrodólares, Chávez pretende assumir uma liderança regional, mesmo que para isso tenha que polarizar o continente.

A ofensiva de Chávez alcançou a Comunidade Andina de Nações (CAN). Caracas ameaçou abandoná-la se seus integrantes assinarem um tratado bilateral de livre comércio com os EUA. O PRD defende o presidente da Venezuela no confronto com Fox Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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