"A escola é uma instituição anárquica", diz Newell

Gabriel Lerman
Em Londres

A cerca de meia hora do lugar onde ocorre esta entrevista fica St. Albans, um bairro londrino com alma de aldeia, onde Mike Newell, diretor britânico de boa família, freqüentou a escola secundária católica em que se inspirou para mostrar de maneira muito diferente Hogwarts, o colégio de Harry Potter.

Por algum motivo, Newell foi o primeiro diretor que o produtor David Heyman procurou para levar ao cinema o mundo dos romances de J. K. Rowling. Apesar de naquele momento ele não ter aceitado, quando Alfonso Cuarón não quis repetir a experiência, Newell sentiu que estava na hora de mostrar uma faceta diferente desse mundo tão inglês.

Veterano da televisão inglesa que não desperdiçou a grande oportunidade que lhe deu o sucesso de "Quatro Casamentos e um Funeral" para tentar a sorte em Hollywood, em "Harry Porter e o Cálice de Fogo" Newell conseguiu dessacralizar com sucesso a escola de magia e ciências ocultas que fascinou milhões de crianças e adultos.

La Vanguardia - Você diria que seu Harry Potter neste filme é diferente dos anteriores?

Mike Newell -
Acredito que nos filmes anteriores o desafio que o personagem principal tinha de superar era muito mais limitado, e sempre havia contado com seus amigos para ajudar a resolvê-lo. Mas neste filme Harry está maior, tem mais consciência e pode entender muito melhor o que está acontecendo. Ele compreende perfeitamente o que Voldemort lhe diz no cemitério, quando tenta assassiná-lo. Mas Harry o enfrenta e sabe que é uma batalha de vida ou morte, demonstrando coragem para não recuar.

LV - Quanta pressão representa trabalhar em um projeto no qual já haviam trabalhado outros diretores, que é amado por muita gente e a franquia mais rentável da Warner?

Newell -
Muito menos do que se imagina. Eu queria continuar o processo de crescimento de Harry que Cuarón havia iniciado. Não queria voltar à infância luminosa que Chris Columbus tinha pintado, por mais que me tenha encantado.

Mas o que eu tinha mais claro era que queria fazer um "thriller". Um filme como "Intriga Internacional", em que no começo da história o herói não sabe absolutamente nada além de que estão acontecendo coisas estranhas. O público, por outro lado, sabe que por trás desses fatos há uma inteligência superior que está manipulando o protagonista, neste caso Harry. Ele está sendo manipulado desde o início pelos vilões. Sempre vi claramente que um "thriller" daria um ritmo interessante ao filme.

Então os produtores me disseram: "Um dos motivos pelos quais você nos interessou é porque sabe fazer comédia. Pode conseguir que a história também seja divertida?" Então lhes falei de minha experiência escolar na Inglaterra, e de como eu via que ali havia um enorme potencial para a comédia, porque a escola é uma instituição anárquica. Expliquei que não era preciso tratar Hogwarts tão a sério como tinham feito. A escola é o lugar onde se misturam todas as loucuras.

LV - O que mais o atraiu no projeto? Trabalhar com os efeitos especiais ou com um elenco que parece a seleção nacional de atores ingleses?

Newell -
Eu já tinha trabalhado com quase todos eles, não eram um estímulo novo. Os efeitos especiais me interessavam mais. Mas ao mesmo tempo sabia que esses atores deviam estar no filme para me ajudar a contar uma história realista. Diretor do 4º filme com Harry Potter revela que queria fazer thriller Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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