"A perda da inocência é o tema principal do filme"

Gabriel Lerman
Em Londres

Ele já completou 16 anos e continua fazendo com perfeição o personagem Harry Potter, como quando, aos 11, o diretor Chris Columbus o escolheu entre centenas de candidatos a se transformar no protagonista cinematográfico dos romances de J. K. Rowling.

Os quatro filmes de sucesso que ele fez até agora não mudaram sua atitude descontraída e humilde: Daniel Radcliffe não tem nenhuma dúvida de que só ele poderá interpretar o aprendiz de mago nos filmes que ainda faltam rodar dessa série.

La Vanguardia - Você se identifica com o crescimento de Harry Potter em cada filme?

Daniel Radcliffe -
É claro. Sempre é muito divertido interpretar Harry, especialmente na medida em que ele vai crescendo. É como se estivesse crescendo de verdade, e esse amadurecimento se reflete nas emoções que expressa na tela.

LV - Você teme crescer mais depressa que seu personagem?

Radcliffe -
Não. Toda essa especulação sobre se vai chegar um momento em que os três atores principais estaremos velhos demais para continuar não tem muito sentido. No cinema é comum os atores interpretarem personagens mais jovens. Não vejo por que em nosso caso será diferente.

LV - Que momento desses filmes lhe causa mais satisfação?

Radcliffe -
Ver o filme terminado, porque é aí que você pode perceber o trabalho que fez durante 11 meses. Quando o filme termina, continua com 15 minutos de créditos, porque houve milhares de pessoas trabalhando nele, e cada parte é tão importante quanto a que nós fazemos diante da câmera. É uma quantidade enorme de material que temos quando termina a filmagem.

LV - Em que você acha que esse quarto filme se distingue dos outros, no que se refere a seu personagem?

Radcliffe -
Acho que o tema principal desse filme é a perda da inocência. Se você reparar no primeiro, verá que todos tínhamos uma atitude muito inocente e nos maravilhávamos com tudo. Quando Harry Potter chega a Hogwarts, acredita que como é um mundo mágico será melhor que o mundo de onde ele vem, e como fica demonstrado depois não é necessariamente assim. É um mundo onde tudo passa pelos extremos. Harry Potter pode ter momentos de extrema felicidade que certamente não conhecerá no mundo humano normal, mas lá também tem gente como Voldemort. Me parece que em "Harry Potter e o Cálice de Fogo" ele começa a perceber qual é a realidade, muito mais que nos filmes anteriores. Começa a perceber que para vencer na vida tem de fazer sozinho. E parece que essa é a maior descoberta de Harry neste filme.

LV - Depois de interpretar Potter em quatro filmes e sabendo que J. K. Rowling está escrevendo o último livro da série, se pudesse lhe fazer alguma sugestão, qual seria?

Radcliffe -
Que se não fizer falta na história uma cena de "quidditch" [o jogo voador], não a ponha. A autora disse que escrever as partidas de "quidditch" era muito complicado. E muito mais complicado é filmá-las!

LV - Você recebe os livros de Rowling antes de eles chegarem às livrarias?

Radcliffe -
Não, não... Eu minto para meus amigos e digo que sim, que sei qual vai ser o enredo e invento histórias, mas na verdade os recebo ao mesmo tempo que os outros fãs da série. Para Daniel Radcliffe, Harry começa a perceber qual é a realidade Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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