Las Vegas vai ganhar um bordel só para elas

Andy Robinson
Em Nova York

"O que acontece em Vegas fica em Vegas", reza o lema de marketing de Las Vegas, e no comercial aparecem cinco garotas em uma limusine, uma delas vestida de noiva. É uma das milhares de "bachelorette parties" --festas de despedida de solteira-- que estão incluídas na diversificada oferta erótica da chamada "cidade do pecado".

O clube Body English, por exemplo, oferece por US$ 149 um espetáculo de dança erótica e strip-tease masculino "com um dos modelos da Playgirl". Cerca de 3,5 milhões de turistas vão a Las Vegas todos os anos, e um número crescente é de mulheres, muitas por causa das compras nos shopping-centers temáticos da Strip, algumas pelas noites "proibidas" e os espetáculos sexuais.

Em breve, se a "madame" de Los Angeles Heidi Fleiss conseguir convencer as autoridades de Nevada, as compras e o sexo se unirão no primeiro bordel para mulheres dos EUA. O único inconveniente será que as interessadas terão de viajar cerca de 100 quilômetros, até a pequena localidade de Crystal, que, diferentemente de Las Vegas --cujos pecados não vão tão longe--, autoriza os bordéis.

Ali, em pleno deserto de Nevada, Fleiss investiu em uma propriedade de 24 hectares que já abriga um bordel, propriedade do sócio de Fleiss, Joe Richards, dono de outros três prostíbulos masculinos nesse condado de Nevada.

Fleiss pretende reformar o estabelecimento --atualmente com inspiração temática no "velho Oeste"-- de acordo com o que ela entende por gosto feminino. Segundo explicou em várias entrevistas nos "Times" de Los Angeles e Nova York, o complexo de serviços exóticos incluirá cascatas, palmeiras e uma estética mais no estilo Hollywood. Haverá chalés de luxo com chaminés rústicas nos quartos. "Será como Leonardo Di Caprio em 'O Aviador'", ela declarou ao jornal californiano.

Di Caprio não estará entre os "go-go boys", mas Fleiss pretende fazer uma seleção a dedo de 20 prostitutos. Segundo o "New York Times", o primeiro contratado é um ator e estilista de moda de Los Angeles chamado James Brandt, 37 anos, um novato "no que se refere à indústria do sexo", segundo confessou, mas consciente de que "quando uma mulher precisa de amor, compreensão e paixão, vai atrás".

A excêntrica empresária do sexo pretende cobrar US$ 250 por hora de suas clientes. Segundo explicou ao La Vanguardia o relações-públicas de Fleiss, Charles Lago, o projeto atualmente está paralisado porque "Heidi teve problemas com a papelada e as autorizações porque esteve presa". Fleiss foi detida em Los Angeles no final dos anos 90 por delitos de prostituição, mas espera poder contornar o problema colocando o estabelecimento em nome de Richards.

A questão que animou os chats na Internet é se um número suficiente de mulheres procuraria um bordel, não como trabalhadoras mas como clientes. Fleiss diz que "os tempos mudaram" e ninguém duvida de que a incorporação da pornografia à cultura dominante nos EUA tenha acabado com vários pressupostos sobre os gostos eróticos femininos.

Em países do Caribe como Cuba, Jamaica e República Dominicana, algumas mulheres européias e americanas se sentem tão à vontade quanto os homens pagando por um companheiro de "mojito" e sexo, e os bailarinos de strip-tease masculino em Las Vegas dizem que freqüentemente recebem propostas.

O crescimento explosivo de treinadores e assessores pessoais em cidades como Los Angeles e Nova York criou oportunidades para que as mulheres possam comprar sexo em nome da saúde física ou mental.

Mas atrair mulheres para um bordel pode ser difícil inclusive para uma empresária esperta como Fleiss. "Seria como pagar pela luz do sol (...) Quer dizer, onde vivem essas mulheres que não conseguem encontrar um homem de aspecto razoável que queira fazer sexo de graça?", escreveu uma leitora de Salon.com. O estabelecimento vai cobrar US$ 250 por hora das mulheres que precisarem de amor, compreensão e paixão de go-go boys Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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