Charlize Theron sofre assédio em 'North Country'

Maria-Paz López
Em Roma

A atriz sul-africana Charlize Theron, ganhadora do Oscar por "Monster", afirma nunca ter sofrido discriminação sexual, mas diz que entende muito bem as mulheres de seu último filme, "North Country", que estréia na Espanha em 31 de março.

"Para uma pessoa da minha geração, o movimento feminista costuma ser algo que ocorreu nos anos 60, quando se queimavam sutiãs, e tendemos a pensar que hoje tudo é perfeito para as mulheres", disse ontem a atriz de 30 anos na apresentação européia do filme, em Roma.

Por isso se comoveu ao ler o roteiro de "North Country", inspirado em um fato real: a batalha jurídica de um grupo de mineiras que nos anos 80 sofreram assédio por parte de seus companheiros em uma mina de ferro no norte do Estado de Minnesota. Theron interpreta Josey Aimes, uma mãe descasada com dois filhos que volta a sua cidade natal, onde seu pai e a maioria dos homens trabalham na mina.

Josey também começa a trabalhar lá, animada por uma velha conhecida, Glory (interpretada por Frances McDormand), e descobre as humilhações e vexações que muitos mineiros infligem a suas companheiras. "Até agora eu me sentia feliz em meu pequeno mundo perfeito, onde nunca sofri discriminação sexual e nunca senti que não tivesse possibilidades ou opções, como acontece com essas mulheres", contou Theron a um pequeno grupo de jornalistas em um hotel em Roma.

Sua mãe tinha uma empresa de construção, "o que era considerado um trabalho de homens", afirmou a atriz, "mas nunca vi isso como algo diferente, e pensava que hoje as mulheres podiam fazer o que quisessem. Mas não é verdade, ainda continua acontecendo".

O assédio que seu personagem e as outras mineiras sofrem poderia ser qualificado de "mobbing" (assédio trabalhista) de gênero, no sentido de que o objetivo dos assediadores não é obter favores sexuais das assediadas, mas ridicularizá-las, dificultar sua jornada de trabalho para que acabem desistindo do emprego.

"Na verdade é um filme sobre a condição humana, sobre o que fazemos quando nos sentimos ameaçados e temos de sobreviver", explicou a atriz.

"Refiro-me também ao que os homens passaram: essas mulheres começaram a trabalhar na mina quando em muitas companhias ocorriam amplas reduções de pessoal, os homens perdiam os empregos e se sentiam ameaçados. Isso não justifica o modo como se comportaram com elas, mas também é preciso ver sua situação. Eu não queria fazer um filme sobre mulheres boas e homens maus, porque isso não é verdade."

O filme detalha episódios de assédio --desde o costume masculino de chamar de "bruxas" as mineiras e mandá-las fazer limpeza, até esvaziar uma latrina portátil com uma delas dentro-- que, segundo contou a diretora, a neozelandesa Niki Caro, foram objeto de crítica.

"As mineiras que abriram o processo legal e nos ajudaram contando sua experiência só se queixaram disso: de que o assédio que se vê no filme não é tão ruim quanto o que elas experimentaram", disse.

No filme chama a atenção a importância que a vida sexual e pessoal da protagonista adquire no tribunal. "É o que aconteceu na vida real", afirmou Caro. "Aquelas mulheres viram sua vida privada exposta na sala de julgamento, por isso creio que é uma parte válida da história."

Charlize Theron ficou impressionada, sobretudo, pelo fato de o caso judicial só ter sido resolvido em 1998. Outros intérpretes do filme são Sissy Spacek, Sean Bean e Woody Harrelson. Novo filme com a atriz se inspira em caso que acabou em processo Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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