Presidente Lula recupera a popularidade perdida

Alfred Rexach
Em Buenos Aires

O sol da popularidade e da aceitação social volta a brilhar para o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, depois do escândalo de corrupção que afetou o Partido dos Trabalhadores (PT), que lhe dá apoio. Em uma pesquisa publicada pelo influente jornal "Folha de S.Paulo", Lula recebe aprovação geral a sua administração, já que 36% dos entrevistados consideram que está sendo ótima ou boa, contra 23% que qualificam o governo como ruim ou péssimo.

A pesquisa, realizada pelo instituto Datafolha entre os últimos dias 1º e 2 de fevereiro, colheu as opiniões de 2.590 pessoas, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais. Na amostragem anterior, 29% dos entrevistados condenaram a gestão do Executivo presidido por Lula, e só 28% lhe deram sua aprovação. Antes da crise, que eclodiu em junho de 2005, o índice de aprovação do presidente também era de 36%.

Novamente são as classes populares e os ainda mais desfavorecidos que dão maior apoio a Lula. O anúncio de um aumento do salário mínimo de R$ 300 para R$ 350, a inauguração e as visitas a várias obras de interesse social e uma oportuna e bem cuidada entrevista no programa "Fantástico", da Rede Globo, parecem ter contribuído para a recuperação da imagem positiva do presidente brasileiro.

No entanto, as intenções de voto futuro não são tão promissoras para Lula. Seus dois possíveis rivais na eleição presidencial deste ano, o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, ambos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), se mantêm perigosamente próximos, e num hipotético segundo turno Serra sairia vencedor.

Lula e Serra ficariam numa situação de empate técnico (33% contra 34%) no primeiro turno, mas no segundo o atual prefeito de São Paulo consegue uma clara vantagem de 8 pontos: 49% contra 41%. Os eleitores do PSDB também mostraram sua preferência por Serra contra Alkmin.

Crise política

Depois da série de escândalos, com denúncias de corrupção comprovadas, que afetou o Partido dos Trabalhadores, Lula foi obrigado a se pronunciar ao país em agosto, com um discurso dramático no qual pediu perdão, afirmando que desconhecia as práticas ilegais descobertas em uma severa investigação policial e parlamentar.

Uma pesquisa realizada horas antes de sua aparição na TV revelou que a popularidade de Lula havia caído vertiginosamente e que ele não conseguiria renovar seu mandato em uma nova disputa eleitoral.

"Não me envergonho de admitir ao povo brasileiro que temos de lhe apresentar nossas desculpas, que o governo e o PT precisam se desculpar", disse Lula. "Sinto-me traído por práticas inaceitáveis, das quais eu não tinha conhecimento", afirmou o presidente, referindo-se às revelações em cascata contra o PT.

Lula chegou à presidência do Brasil em 2002, graças a suas promessas de que o PT traria honradez para a política brasileira. "O PT foi criado exatamente para reforçar a ética na política e para estar do lado dos pobres e das classes médias de nosso país", disse Lula, um metalúrgico e sindicalista que criou o PT há 25 anos.

A crise começou a partir dos subornos de até 10 mil euros mensais entregues a deputados de outros partidos para que apoiassem com seus votos as decisões governamentais, pagamentos efetuados por empresas para conseguir contratos e um mercado negro de cargos em empresas estatais para os que ajudavam o partido.

Assim, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, afirmou que essa força política apoiou Lula nas eleições de 2002 por dinheiro, e que este sabia disso. Costa, que em agosto renunciou ao mandato de deputado federal por causa do escândalo, declarou à revista "Época" que o PT pagou R$ 10 milhões ao Partido Liberal por seu apoio, atribuindo a ação a José Dirceu, o braço-direito de Lula e com o qual fundou o PT.

A demissão em junho de Dirceu, chefe de gabinete de Lula, foi o início da grande crise, que acabou com o presidente do PT, José Genoíno, e com seu tesoureiro, Delúbio Soares, entre outros. O cerco ao presidente brasileiro se agravou quando Duda Mendonça, o publicitário encarregado da campanha presidencial de Lula e do PT nas eleições de 2002, reconheceu que o partido lhe havia pagado seus serviços por meio de uma conta corrente nas Bahamas, um paraíso fiscal.

Compungido diante das câmeras de televisão, Lula mostrou-se enérgico ao desmentir qualquer envolvimento pessoal, mas admitiu estar "consciente da gravidade da crise política, que feriu todo o sistema de partidos brasileiro".

Agora Lula parece recompor sua imagem, mas, terminado seu idílio com o povo, persistem as dúvidas sobre se conseguirá conquistar o cargo para um segundo mandato. O líder brasileiro governa satisfatoriamente, mas suas possibilidades de se reeleger são incertas. Escândalos de corrupção no Partido dos Trabalhadores romperam sua imagem beatífica Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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