Entrevista com Chico César, músico brasileiro

Esteban Lines

La Vanguardia - Como o veremos esta noite? Veremos o Chico mais autêntico?
Chico César -
Minha música é transfronteiriça e transversal. A fórmula é um conceito que não me inquieta nem me preocupa. Chico sempre é autêntico

LV - Tem certeza? Nesse passo acabará sendo tão famoso quanto Carlinhos Brown.
Chico César -
Carlinhos fez muito pela MPB; estreou em Barcelona exatamente neste festival, quando ainda não fazia desfiles nem filmes. É um músico imenso. Quem não teria concordado em participar de "Triabalistas"?
Existe uma linha conceitual da música de meu país; além das intérpretes femininas e das grandes referências como Veloso, Gilberto, Buarque ou Gil, o Brasil é o cenário musical mais excitante que existe hoje no mundo.

LV - Em Barcelona em dúvida existe uma empatia através do futebol.
Chico César -
Sim, embora meu preferido seja Ronaldo. Lamento.

LV - Você aterrissou nos anos 80 no panorama musical brasileiro. Com essa perspectiva, qual foi sua contribuição?
Chico César -
Na época, pouco; hoje muito mais. O tempo que se demora para aprender a raiz, a história e o ser de seu # pálpito torna-se eterno.

LV - Quer dizer...
Chico César -
Muito além das colaborações que eu pude fazer na última década, especialmente com músicos espanhóis, por exemplo. Abrir o meu discurso musical não significa perda de identidade, mas maior democracia. A música hoje no Brasil exige um posicionamento poderoso e artístico.

LV - O que é um posicionamento poderoso?
Chico César -
Conhecer em profundidade as raízes musicais de seu país.
Pensar sobre isso e adaptar o maior número possível de linguagens. Minha identidade como artista brasileiro é clara, porque penso que minha maior tarefa é a recuperação e a atualização da música de meu país, e ? juega com vantagem porque a MPB é grande tanto por sua ética quanto por sua estética.

LV - É fácil; afinal seu país deve ser o mais prolífico do planeta em termos musicais.
Chico César -
Creio que os artistas de todas as condições devemos assumir uma responsabilidade. No Brasil temos agora uma conjuntura política muito interessante e, sem dúvida, estimulante. A música brasileira não é só samba, bossa nova, eletro ou MPB. "De uns tempos pra cá" é uma imagem sólida desse esforço. São canções que fui compondo há 30 anos em nível musical, e que há 15 fui recheando de textos. Creio que ficou um disco muito contemporâneo. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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