Fidel Castro garante à "Forbes" que não é rico

Joaquim Ibarz
na Cidade do México

Fidel Castro está disposto a deixar a presidência de Cuba e todos os outros cargos que ocupa, caso a revista americana "Forbes" consiga demonstrar que ele possui um único dólar em contas no exterior. Em seu último número, a publicação situa o líder cubano entre os dez dirigentes políticos do mundo com maior fortuna pessoal: atribui a ele US$ 900 milhões.

"Se provar que eu tenho alguma conta no exterior de 900 milhões, ou mesmo que seja de um único dólar, renuncio agora a todos os meus cargos", Fidel Castro desafiou os editores da revista, que afirma que o presidente cubano tem uma grande quantidade de dinheiro fora do país. "Desafio que provem isso", salientou Castro durante um programa especial na televisão cubana emitido no final da segunda-feira, que durou mais de quatro horas, destinado a refutar a acusação da "Forbes".

O líder cubano disse que "tinha uma velha dívida e devia saudá-la (...) Não podia continuar tolerando as infâmias desse libelo". "Devo confessar que o assunto me repugnava. Me dava nojo ter de me defender (...) Pensei: então vou parar diante do povo para me defender de todas essas porcarias?", comentou, com um exemplar da revista sobre a mesa.

Castro, de 79 anos e há 47 no poder, disse em novembro de 2005 que seu salário era de somente 900 pesos cubanos mensais (cerca de US$ 40).
A "Forbes" afirma em uma reportagem intitulada "Fortunas de reis, rainhas e ditadores" que o presidente cubano tem mais dinheiro que a rainha Elizabeth da Inglaterra.

A publicação afirma que Castro controla empresas estatais e florescentes indústrias de biotecnologia. Sem dar provas nem citar fontes, a "Forbes" admite que calculou a fortuna do líder cubano a partir das rendas dessas companhias, e depois atribui ao presidente uma parte desses ganhos. Sua conclusão se baseia na suposição de que Castro é dono de empresas estatais rentáveis, como o Palácio das Convenções, o conglomerado comercial e industrial Cimex e a operadora de medicamentos e serviços médicos Medicuba.

O presidente do Banco Central de Cuba, Francisco Soberón, que interveio na tertúlia televisiva, disse que "é totalmente impossível" que um alto dirigente possa dispor de contas pessoais no exterior, devido à "economia centralmente planejada, sob estrito controle do partido (comunista)" e do Estado. Ele salientou que o sistema bancário cubano administra a totalidade das divisas que ingressam no país.

Por sua vez, o historiador Eusebio Leal, de Havana, revelou que Castro ordenou em 1991 a distribuição maciça dos presentes que havia recebido durante décadas de outros dignitários em sua condição de chefe de Estado.

Leal relatou que o lote era formado por 11.687 objetos, procedentes de 133 países, que incluíam desde uma lapiseira até objetos muito valiosos.
Durante o programa, Soberón informou que o Banco Central de Cuba fez uma emissão de títulos no valor de 400 milhões de euros na Bolsa de Londres, que foram vendidos integralmente na data da emissão, para pagamento em um ano, por 7% de juros. Os títulos "foram comprados 100% por bancos estrangeiros e cubanos na mesma data de sua emissão", acrescentou Soberón, sem esclarecer a data da operação. Castro disse que era a primeira vez que se falava na emissão de títulos e comentou: "É irrefutável a confiança quase assombrosa"
no êxito da operação.

A réplica

"Para que quero dinheiro?" Com seu habitual uniforme verde-oliva, Fidel Castro suportou bem mais de quatro horas nos estúdios de televisão. Ele vai completar 80 anos em agosto e mostrou-se em forma: bem-humorado, com reflexos ágeis e capacidade dialética para desacreditar a "Forbes": "Que procurem um dólar. Para que quero dinheiro? Não quis antes e não quero agora." Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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