Médicos propõem reconstrução imediata da mama ao operar de câncer

Marta Ricart
em Barcelona

O diagnóstico de câncer de mama faz a paciente entrar em um túnel.
Representa um tratamento prolongado e muitas vezes passar pelo cirurgião e viver com o peito extirpado durante algum tempo. Esta última seqüela pode ser evitada com a reconstrução da mama na mesma operação em que se extirpa o tumor. Mas essa intervenção ainda não é feita de forma sistemática nos hospitais espanhóis, apesar da vantagem psicológica que tem para a paciente.

Reconstruir o peito imediatamente poupa à paciente uma segunda operação e sobretudo viver com o peito amputado meses ou até anos, com o impacto psicológico que isso causa. "Diminui a sensação de doença", afirmam Joan M. Viñals e Josep M. Serra Payró, chefe de serviço e chefe clínico de cirurgia plástica do hospital de Bellvitge. Os dois cirurgiões plásticos estão entre os defensores da cirurgia oncoplástica, que aplica técnicas de cirurgia plástica-estética à operação de câncer e reconstrução mamária.

Viñals e Serra explicam que em Bellvitge, de acordo com a unidade de câncer da mama do Instituto Catalão de Oncologia, operam cerca de 300 pacientes de câncer de mama por ano e em quase um terço é realizada uma reconstrução total e imediata da mama. Na maioria dos casos restantes se faz uma cirurgia mais conservadora - não é necessário extirpar todo o peito - e uma reconstrução parcial. Mas afirmam que sempre aplicam cirurgia oncoplástica.

Nesta cirurgia o cirurgião plástico já intervém na avaliação da operação e costuma ser quem extirpa o tumor. O faz conservando o máximo de pele e a estrutura do peito. Depois de extrair o tecido mamário cancerígeno, recheia o buraco com tecido do abdômen ou das costas da paciente.

Serra afirma que a cirurgia oncoplástica melhora os resultados da reconstrução mamária. Em alguns casos se opera inclusive o outro seio para garantir a simetria. "Representa uma mudança de filosofia, além da cirurgia conservadora", ele diz. E afirma que "só exige uma organização multidisciplinar de equipes médicas", mas reconhece que é necessária "uma mudança de mentalidade de alguns oncologistas e pacientes".

O mais comum nos hospitais que fazem reconstrução mamária imediata é que um cirurgião oncologista ou ginecologista opere o tumor e o cirurgião plástico intervenha depois. Ao mesmo tempo, os plásticos lamentam que a maioria dos oncologistas não está preparada para fazer a cirurgia reconstrutiva. A verdade é que algumas pacientes às quais se oferece a cirurgia oncoplástica e reconstrução imediata duvidam porque temem que não seja eliminado todo o câncer, ao querer salvar o máximo da mama. Serra afirma que a extirpação do tumor é completa e decidida com oncologistas e patologistas.

A Associação Contra o Câncer da Catalunha lembra que há discrepâncias entre oncologistas e cirurgiões plásticos e pede que se estudem as vantagens e os inconvenientes da cirurgia oncoplástica e se unifiquem os critérios para que possa ser estendida a todas as mulheres que poderiam se beneficiar da técnica.

Montse Muñoz, oncologista coordenadora da unidade de mama do hospital Clínic de Barcelona, indica que a reconstrução mamária imediata é recomendável e se procura fazer se for indicada - não se implantam próteses mamárias antes de a paciente se submeter a radioterapia, por exemplo. Afirma que se não é feita de maneira mais extensa é por limitação de recursos. Aplicar critérios de cirurgia plástica traz vantagens, na opinião dela, sempre que se garantam os critérios oncológicos adequados.

A melhora da cirurgia é um objetivo prometido pelo Departamento de Saúde na revisão de seu plano oncológico. A Saúde reconheceu que ainda existe uma grande desigualdade na Catalunha, conforme onde a paciente seja operada, na cirurgia mamária mais ou menos conservadora que for praticada. As desigualdades são ainda maiores no que diz respeito ao acesso à reconstrução imediata e cirurgia oncoplástica.

Embora a cirurgia oncoplástica seja conhecida sobretudo pela reconstrução da mama, também se aplica a pacientes afetados por cânceres menos freqüentes como o de cabeça e pescoço, salienta Viñals.

Tratamento demora em 20% dos casos

O tempo que passa entre a suspeita de um câncer por parte do clínico geral e o início do tratamento é superior a um mês em 20% dos casos, afirma Enric Agustí, subdiretor do Serviço Catalão de Saúde. Este número se refere aos cânceres de mama, cólon e pulmão, para os quais o Departamento de Saúde instaurou no outono passado um plano de atendimento rápido. No caso do câncer de mama, o início do tratamento costuma ser um pouco mais rápido que nos de cólon e pulmão. Agustí admite que recebe queixas de pacientes porque demora sua passagem pelo cirurgião devido às listas de espera. A operação é psicologicamente benéfica para as pacientes, mas a técnica ainda é pouco difundida Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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