Guerra no Líbano salpica Ronaldinho

Carla Fibla, em Rabat (Marrocos) e
F. Vivanco, em Vigo (Espanha)

A guerra do Líbano entrou na casa de Ronaldinho Gaúcho, e não exatamente pela televisão. O jogador do Barcelona, que na segunda-feira perdeu o início da Liga por causa de uma lesão, viu-se envolvido em uma história rocambolesca com tons de ficção-científica, relacionada ao atual conflito no Oriente Médio e que o salpicou por supostas declarações que ele teria feito em apoio ao lado israelense e insultando as crianças árabes.

Essas palavras, que correm como pólvora, mas das quais se desconhece a hipotética origem, chegaram ao Marrocos, onde na segunda-feira um jornal atacou duramente o jogador. O ataque ocorre uma semana depois que o site do jogador na web desmentiu as opiniões e o o envolvimento do brasileiro em um projeto no Oriente Médio.

Os árabes qualificam Ronaldinho de macaco e terrorista. "O jogador do Barça provocou os muçulmanos", foi o título na segunda-feira do jornal marroquino "Al Nahar al Magrebiya". A polêmica circula pela Internet há semanas, em fóruns e listas de correio eletrônico, sem que a informação do jornal marroquino nem nas conversas de rua alguém cite o desmentido oficial do jogador em seu site.

O "Al Nahar al Magrebiya" ficou indignado com as supostas declarações do atacante em apoio a Israel durante a recente guerra no Líbano. "O melhor jogador do mundo, embaixador da boa vontade da ONU, declarou sobre o massacre de Canaã que não sentia pena das crianças mortas porque eram futuros terroristas", disse o jornal em duras acusações.

"Essas declarações não fazem sentido, simplesmente não existem, nem qualquer entrevista a esse respeito, não sabemos de onde saíram. Ronaldinho não as fez", esclareceram na segunda-feira a este jornal fontes do círculo mais próximo do jogador.

O próprio Ronaldinho se pronunciou ontem à noite: "É absolutamente falso e cruel que eu tenha dito que não sinto pena da morte de crianças. Sempre me declarei a favor dos direitos da infância, e quem me conhece sabe que essas declarações que põem em minha boca eu considero uma barbaridade", salientou o jogador no site do Barça.

Os representantes do Gaúcho souberam há pouco mais de uma semana de um rumor que o relacionava a essas declarações e com um ato contra a guerra. Um dos patrocinadores do jogador, uma rede de academias implantada em vários países árabes, entrou em contato com o escritório de Roberto de Assis, irmão e agente de Ronaldinho, para avisá-lo do que acontecia, e foi então que apareceu uma nota de esclarecimento desmentindo os rumores.

"Como muitos de vocês sabem, apóio diversas causas sociais e sempre que me pediram ajuda respondi com a melhor vontade. Por isso quero esclarecer que nenhuma entidade social entrou em contato comigo até o momento em relação ao conflito indicado. E por isso não me comprometi com nenhum ato."

Além de citar as palavras que Ronaldinho teria pronunciado, o "Al Nahar"
comenta que "os torcedores do jogador se posicionaram contra suas declarações, protestando inclusive contra os clubes de futebol nos quais jogou, como o Paris-Saint-Germain e o Barcelona". O "Al Nahar al Magrebiya" cita inclusive o jornal espanhol "El Mundo", no qual, segundo o diário marroquino, Ronaldinho teria expressado sua aprovação pela guerra do Líbano, mostrando "sua esperança" na vitória de Israel.

Segundo a informação, para justificar sua atitude o craque teria comentado que era a resposta "ao afeto de seus fãs em Israel".

Embaixador da ONU

Ronaldinho sempre se dedicou a programas contra a fome e o abandono infantil. Há apenas um ano o jogador foi nomeado embaixador do programa mundial de alimentos da ONU. Graças a seu amigo Kaká, jogador do Milan, Ronaldinho pediu pessoalmente ao organismo internacional para participar da luta contra a desnutrição. "Para mim é um motivo de alegria ajudar nessa causa. Esse é um dos meus gols mais bonitos", ele disse na época. "É cruel que tenham dito que não sinto pena da morte de crianças", diz o craque. Um porta-voz do jogador também nega as declarações publicadas num jornal do Marrocos Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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