Chávez cai nas pesquisas de voto enquanto sobe o opositor Rosales

Joaquim Ibarz
Na Cidade do México

Cresce o antichavismo na Venezuela. Com esperanças reduzidas por tantas decepções, a oposição começa a acreditar que Hugo Chávez não é invencível. O crescente descontentamento nos setores populares pelo mau governo do presidente provocou uma forte queda em sua intenção de voto (de 55% para 48%). Por outro lado, o candidato único da oposição, Manuel Rosales, subiu de 10% para 37%.

O social-democrata Rosales, que teve um bom desempenho como prefeito de Maracaibo e governador de Zulia (estado onde são extraídos 46% do petróleo venezuelano), começou a mobilizar uma sociedade desejosa de mudanças, mas que estava decepcionada e frustrada pelas incoerências e desacertos dos dirigentes de uma oposição que soma uma derrota atrás da outra. Segundo concordaram a firmas de pesquisas Hinterlaces e Keller y Asociados, enquanto o apoio a Chávez cai, o de Rosales cresce.

Oscar Schemel, presidente da Hinterlaces, disse que entre os chavistas "cresce um sentimento de apatia, indiferença e descontentamento pelas promessas descumpridas". Além disso, há uma indignação cada vez mais generalizada pela crescente corrupção que beneficia a nova burguesia "revolucionária". Há uma semana, o jornal "El Nacional" publicou outra pesquisa da firma Penn, Schoen & Berland, que dava a Chávez 50% das intenções de voto contra 37% para Rosales. Somente 10% mostraram-se indecisos. Os 22 candidatos restantes somaram 3%.

Segundo Schemel, os problemas que mais afetam a população são insegurança, desemprego, corrupção, alto custo de vida e pobreza. "Chávez é reprovado em todos; 65% dos pesquisados avaliam que estão pior do que quando ele chegou ao poder há quase oito anos", salienta.

Alfredo Keller, presidente da Keller y Asociados, prevê que Chávez "perderá as eleições, mesmo que o Conselho Nacional Eleitoral diga outra coisa". Keller afirmou que os 37% de apoio a Rosales podem aumentar porque ele se identifica com os problemas da população, enquanto Chávez, com suas freqüentes viagens ao exterior, "se colocou fora da agenda popular".

A queda de apoio a Chávez se atribui à radicalização do processo revolucionário, à crescente aproximação com Cuba, aos ataques contra a propriedade privada e, sobretudo, a sua má gestão. As pesquisas confirmam que a maioria dos eleitores reprova a gestão de Chávez em pontos como segurança (73%), erradicar a corrupção (64%) e a pobreza (62%).

Embora seja cedo para medir as possibilidades de Rosales, é evidente que a eleição de 3 de dezembro será mais disputada do que se pensava. Em um tempo recorde, a oposição fez acreditar que é possível recuperar um pouco de equilíbrio político. Rosales, 53 anos (um a mais que Chávez), baseou sua campanha em convencer os setores mais pobres de que será um governante que não dará caridade, mas criará empregos.

Sua proposta de dar maior justiça social ao rendimento do petróleo agradou a muitos venezuelanos, que percebem que a pobreza e o desemprego não foram atacados com eficácia por um governo esbanjador e com crescente corrupção. Além disso, propõe dar às famílias mais pobres um cartão de crédito - chamado Mi Negra - para que possam retirar em espécie entre 200 e 400 euros mensais, que poderão destinar a alimentação, moradia e educação. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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