Aquecimento global: As emissões aumentam depois do declínio econômico do Leste Europeu

Antonio Cerrillo
em Barcelona

As emissões de gases do efeito estufa nos países industrializados diminuíram 3,3% entre 1990 e 2004. Mas não existe motivo para euforia, pois se chegou a esta situação em conseqüência de uma diminuição de 37% dos gases nas economias em transição de países da Europa Central e do Leste. Foi o declínio industrial desses países que levou a essa situação, e não uma verdadeira renúncia aos gases que esquentam a atmosfera. Pelo contrário, as emissões dos demais países industrializados cresceram 11% no mesmo período.

Por isso, o que mais preocupa é o fato de que os países do antigo bloco do Leste experimentaram um aumento das emissões de seus gases de 4,1% entre 2000 e 2004, segundo indicou Yvo de Boer, secretário-executivo do convênio de mudança climática. Inevitavelmente, para equilibrar e corrigir a situação, "os países industrializados deverão intensificar seus esforços para aplicar políticas firmes que reduzam as emissões", acrescenta De Boer.

O transporte continua sendo um setor no qual se exige com urgência uma redução das emissões, pois entre 1990 e 2004 aumentaram 23,9%. Atualmente, o Protocolo de Kioto exige que os 35 países industrializados reduzam em 5% as emissões de gases do efeito estufa no período 2008-2012 com relação a 1990.

Mas De Boer salientou que, apesar do crescimento das emissões, os países que fazem parte do Protocolo de Kioto têm grandes possibilidades de cumprir seus compromissos individuais de redução das emissões se adotarem sem demora as medidas adequadas. Por um lado, podem aplicar medidas internas de mitigação (economia, eficiência energética, fontes renováveis, transporte público) e de outro têm as portas abertas para recorrer a ações adicionais (mecanismos de flexibilidade).

Nesse sentido, uma opção chave são os investimentos de desenvolvimento limpo que permitem aos países industrializados investir em projetos que reduzam as emissões em países em desenvolvimento, em troca de obter os certificados de redução de emissões em seus inventários. Até hoje foram registrados 375 projetos desse tipo, com um potencial estimado de redução das emissões de mais de 600 milhões de toneladas. De todo modo, se implementou o segundo mecanismo flexível, o de aplicação conjunta, que permite que os países desenvolvidos adquiram créditos de carbono procedentes dos projetos de redução de emissões nos países com economia de transição.

O governo espanhol admite que a Espanha é o país desenvolvido que mais se afasta do caminho de Kioto, embora Arturo Gonzalo Aizpiri, secretário-geral para a Prevenção da Mudança Climática, destaque alguns bons sintomas. No primeiro semestre deste ano a geração elétrica (que representa um quarto do inventário) reduziu as emissões em 5,9% em relação a 2005, devido ao maior uso do gás, das energias renováveis e das fontes hidrelétricas. No entanto, o transporte mostrou nesse mesmo período um aumento de 3% nas emissões de gases. Contando esses dois subsetores (são a metade do inventário), os gases diminuíram 1%.

Com vistas a Kioto II, o Executivo espanhol assume ter novos compromissos de redução de gases, mas pede que se leve em conta que "o nível de emissões de CO2 per capita em nosso país está abaixo da média da UE", lembrou Aizpiri. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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