Pequim lança ofensiva armada contra o grupo islamita uigur em Pamir

Rafael Poch
Em Pequim

Dezoito ativistas uigures e um policial chinês morreram na sexta-feira (5/1) em um confronto na remota região do Pamir, no extremo oeste do país, informaram ontem fontes policiais chinesas. Outro policial ficou ferido e mais 17 pessoas foram detidas, no que foi descrito como uma operação antiterrorista para desmantelar um campo de treinamento do Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, organização separatista uigur com um passado de atentados e ações armadas. Alguns dos envolvidos conseguiram escapar e sua busca continuava ontem.

O Pamir é uma região montanhosa de altitude, aspecto e clima semelhantes aos do Tibete. A maior parte de seu território se encontra na região autônoma de Gorno-Badajistão, com algumas áreas no Quirguistão, Afeganistão e China, que compartilham uma fronteira montanhosa e desolada, muito difícil de controlar e com grande tradição de contrabando. Xinjiang é a região mais ocidental da China, onde vivem 8,5 milhões de uigures, o grupo étnico mais diferente da maioria chinesa han. É o único povo turco que utiliza o alfabeto árabe e demonstrou um forte apego à sua tradição islâmica, assim como grande resistência à assimilação chinesa. Xinjiang é o cenário das tensões nacionais mais agudas na China, embora nos últimos anos o ativismo político tenha decaído claramente.

O Movimento Islâmico do Turquestão Oriental é uma organização armada e minoritária ligada à rede fundamentalista islâmica internacional, que organizou refúgios no Afeganistão da administração taliban nos anos 90. Seu líder, Hasan Majsum, foi liquidado pelo exército paquistanês em 2003.

O primeiro levante islâmico conhecido do Xinjiang moderno se registrou em abril de 1990, no distrito de Akto, a cerca de 30 quilômetros ao sul da cidade de Kashgar. Um ativista chamado Zajidyn Yusuf proclamou a guerra santa até que seu grupo foi exterminado pelo exército chinês. Em um segundo levante, em 1997, registraram-se distúrbios maciços, com dezenas de mortos e centenas de detidos. Em 2003 e 2004, quatro ativistas uigures foram executados.

Segundo a Anistia Internacional, as campanhas do governo chinês empreendidas a partir de 1996 generalizaram a tortura e a violação dos direitos básicos. Somente entre abril de 1997 e 1999 foram registradas pelo menos 199 execuções ligadas a delitos políticos em Xinjiang.

Em 2002 os EUA incluíram o movimento islamita em sua lista de organizações terroristas. Ao mesmo tempo, o governo de Washington apóia o movimento separatista uigur, que também conta com organizações autonomistas cujo programa rejeita a violência. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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