Bill Richardson é o primeiro aspirante hispânico à Casa Branca

Eusebio Val
em Washington

Bill Richardson somou-se ontem ao mais colorido plantel de aspirantes à Casa Branca da história. O governador do Novo México, um homem de rico currículo político e interessante perfil pessoal, anunciou que lutará para ser o candidato democrata nas eleições presidenciais de 2008. É o primeiro hispânico em ambos os partidos que entra na disputa pela magistratura máxima.

Vladimir Chaloupka/Reuters 
Richardson tem experiência executiva nos níveis estadual e federal, e também internacional

A principal proposta de Richardson aos americanos foi "reparar os danos que fizeram ao nosso país nos últimos seis anos". "Nossa reputação no mundo diminuiu, nossa economia estagnou e a decência no governo morreu", afirma o governador em um vídeo em sua página na web. Horas depois, a rede de televisão ABC transmitiu uma entrevista em que ele confirmou sua candidatura. Aos 59 anos, Richardson tem seu nome cogitado há tempo como presidenciável.

Já apareceu como número 2 de John Kerry em 2004. Tem vários fatores a seu favor. É latino, conta com notável experiência executiva, nos níveis estadual e federal, comprovados dotes diplomáticos e bagagem internacional.

Ser governador já é uma vantagem importante. Os americanos são mais inclinados a confiar a presidência a um administrador, alguém acostumado a tomar decisões próximas dos cidadãos, do que a um congressista ou senador envolvido nas intrigas políticas de Washington e sempre sob a suspeita de corrupção e ineficácia.

A origem hispânica é uma vantagem inegável, já que os latinos - mais de 40 milhões - constituem a maior minoria étnica nos EUA. Richardson nasceu em Pasadena (Califórnia) de mãe mexicana - María Luisa López-Collada - e pai americano. Sua avó paterna era nicaragüense. O candidato foi criado na Cidade do México, onde seu pai trabalhou como executivo do Citibank. Aos 13 anos a família se transferiu para Massachusetts. Na versão em inglês do vídeo, Richardson não menciona sua ascendência latina, mas sim na versão em espanhol.

Na entrevista à ABC insistiu, porém, que em sua campanha não enfatizará o fato de ser hispânico, apesar do orgulho que sente de suas raízes. Deu muito mais destaque ao fato de ser um político do oeste, uma das regiões mais dinâmicas do país, e a sua folha de serviços profissionais. Richardson trabalhou no Departamento de Estado, foi congressista durante 14 anos, secretário da Energia no governo Clinton e depois embaixador na ONU. Como mediador internacional, esteve com Saddam Hussein em Bagdá em 1995 para conseguir a libertação de dois reféns americanos e interveio várias vezes no diálogo com a Coréia do Norte. Sua última missão internacional foi em Darfur.

Na opinião dele, poucos têm uma experiência tão valiosa como negociador para enfrentar os desafios internacionais dos EUA e também como especialista num dos âmbitos decisivos do futuro, a energia. "O próximo presidente deve tirar nossas tropas do Iraque sem demora", salientou. "Conheço bem o Oriente Médio e está claro que nossa presença no Iraque não nos ajuda", acrescentou. O governador foi reeleito em novembro para um segundo mandato com 69% dos votos. Mesmo que não consiga a nomeação, seria uma opção muito interessante para a vice-presidência. Governador do estado do Novo México, foi secretário da Energia do presidente Bill Clinton e embaixador na ONU. É partidário da retirada do Iraque e possui muita experiência em Washington e na ONU Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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