Camilla provoca o fisco ostentando colar de brilhantes e rubis

Patricia Tubella
em Londres

O príncipe de Gales e sua mulher, Camilla, dormiam tranqüilamente em sua residência campestre de Highgrove na terça-feira à noite quando um intruso conseguiu superar as barreiras de segurança e chegar ao recinto, armado de um garfo dos que se usam como ferramentas na lavoura. O susto não passou disso, e a polícia deteve nos jardins da propriedade o homem de 55 anos, com antecedentes criminais, que depois foi libertado sob fiança.

AFP 
Camilla gerou polêmica quando exibiu um colar avaliado em 1,5 milhões de euros

O incidente levou a imprensa britânica a especular sobre as intenções do indivíduo, que provavelmente acreditava que o casal real ainda estivesse viajando pelos EUA, onde fez uma breve turnê nos últimos dias. Mas os mais atrevidos sugeriram que o homem talvez tenha se animado a cometer o assalto por causa de uma imagem tão luxuosa quanto polêmica da duquesa da Cornualha que foi publicada pelos jornais: uma Camilla sorridente, ostentando um imponente colar de diamantes e rubis avaliado em 1,5 milhão de euros.

Quando a consorte do príncipe herdeiro, de 59 anos, exibiu a jóia durante uma recepção na Filadélfia domingo passado, combinando com um vestido de veludo bordô, só recebeu elogios a seu porte seguro e elegante. Diante das perguntas dos jornalistas que cobriam o evento sobre a origem do colar, a comitiva do príncipe explicou que se tratava de "um presente particular" que Camilla recebeu durante visita oficial a um país que não foi citado.

A identidade do doador generoso foi revelada ontem, na pessoa do príncipe saudita Al Walid Bin Talal, um sobrinho do rei da Arábia Saudita cuja família já ofereceu presentes valiosos ao próprio príncipe de Gales e também à falecida princesa Diana.

Mas a família real é obrigada por lei a pagar impostos quando recebe presentes pessoais, e a duquesa não teria desembolsado os 260 mil euros correspondentes a 18% de 1,5 milhão de euros em que foi avaliado o colar.

Camilla, portanto, foi acusada pela imprensa de evasão fiscal. Clarence House - a residência oficial de Charles - tentou reagir ontem à polêmica dizendo que na realidade se tratava de "um presente para o país", uma condição oficial que não exige o pagamento de imposto de importação. Uma retificação tardia, segundo o presidente do Comitê Parlamentar de Contas Públicas, Ian Davidson, que denunciou "outro exemplo de claro engano por parte da família real e seus funcionários". O deputado trabalhista acusou Charles e Camilla de "tentar apagar a distinção entre o que lhes pertence e o que é propriedade do Estado" e ao mesmo tempo conseguiu apagar todos os comentários favoráveis que a turnê americana do casal havia provocado.

Elogiado do outro lado do Atlântico, o príncipe Charles já havia recebido críticas em seu país, por reservar nada menos que 20 lugares em um Boeing para ir a Nova York receber um prêmio ecológico. A viagem começou com o pé esquerdo, e diante dos últimos acontecimentos não teve melhor desfecho. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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