Hugo Chávez mantém estratégia de utilizar combustível como arma política

Joaquim Ibarz
na Cidade do México

Enquanto os venezuelanos são prejudicados pela escassez de produtos alimentícios e por uma inflação galopante, Hugo Chávez vende petróleo barato para os países ricos. Os ônibus de dois andares de Londres funcionarão com cru a preço de banana, graças à generosidade do presidente venezuelano.

O prefeito de Londres, Ken Livingstone, que no ano passado recebeu o presidente Chávez com pompa, assinou um acordo com o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolas Maduro, pelo qual Caracas venderá combustível barato para a capital britânica. A economia subsidiará o transporte de cerca de 250 mil londrinos que sobrevivem graças à assistência pública.

Richard Barnes, subsecretário do grupo conservador do legislativo municipal, criticou o acordo: "Por que Londres, uma das capitais mais ricas do mundo, precisa explorar um país em desenvolvimento? Esse dinheiro serviria mais se fosse destinado à população pobre da Venezuela", destacou o conselheiro.

Milhões de venezuelanos que sobrevivem imersos na pobreza - mais de 75% da população - não entendem como seu presidente gastará cerca de 30 milhões de euros por ano para ajudar os londrinos pobres. Comentaristas da imprensa de Caracas criticam que se destine tanto dinheiro para conseguir apoio dos políticos no exterior quando a população de seu país tem tantas necessidades.

O acordo com a empresa estatal Petroleos de Venezuela SA (PDVSA) reduzirá em 20% o gasto de combustível do transporte londrino. Em troca, a capital britânica dará assistência técnica à cidades venezuelanas nas áreas de transporte, meio ambiente, reciclagem, lixo, turismo e planejamento urbano.

A idéia desse acordo generoso surgiu da sugestão feita durante a visita a Londres do presidente Chávez, que utiliza o petróleo como arma política. A Venezuela assinou acordos semelhantes para fornecer combustível barato com cidades de vários países, incluindo algumas americanas.

Em dezembro de 2005, a Citgo, filial da PDVSA nos EUA, fez a primeira entrega de cru para calefação a famílias pobres dos EUA. A Venezuela dá para Cuba cerca de 100 mil barris diários de cru em troca do envio de médicos e treinadores esportivos. Da mesma forma, abastece de combustível em condições vantajosas cerca de 20 pequenos países do Caribe, em troca de seu voto na Organização dos Estados Americanos.

Por outro lado, o presidente argentino, Néstor Kirchner, realiza uma visita à Venezuela durante a qual assinará acordos de cooperação. Em troca do apoio político de Buenos Aires, o governo Chávez comprou bilhões de títulos da dívida argentina e efetuou diversas importações do país austral. A Venezuela fornece petróleo a preço de banana para o transporte público de Londres. Em troca, a capital britânica dará assistência técnica a cidades venezuelanas em transporte, turismo e meio ambiente
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