População humana vai diminuir à metade neste século, diz arqueólogo

Da Redação
Em Barcelona

A população humana se reduzirá pela metade antes do final do século 21, devido à combinação de instintos primatas e de avanços tecnológicos no Homo sapiens, previu ontem o arqueólogo Eudald Carbonell na apresentação de seu último livro. A obra, intitulada "El naixement d'una nova consciència" [O nascimento de uma nova consciência] (ed. Ara Llibres), defende que não é tarde demais para evitar o cataclismo: o antídoto passa por compreender que os humanos têm uma capacidade para alterar o ecossistema sem precedentes na história da terra, que os recursos naturais são finitos, que os instintos animais herdados dos primatas mais antigos levam a explorações insustentáveis e a confrontos violentos, e que só o pensamento racional pode conter esses instintos animais.

O co-diretor das escavações de Atapuerca, que desenvolve suas idéias sobre a evolução futura do gênero humano a partir de suas pesquisas sobre a evolução passada, duvida que a humanidade vá se extinguir em curto prazo. Mas considera inevitável o "nascimento de uma nova consciência da condição humana, que será uma consciência de nossa fragilidade".

O novo livro de Carbonell é uma continuação das reflexões iniciadas nas obras "Planeta humá" (2000) e "Encara no som humans" (2002), co-escritas com Robert Sala, nas quais defendia que a espécie humana quase não evolui mais por seleção natural, mas está experimentando uma evolução acelerada pela seleção da tecnologia.

O que vai acontecer antes do final do século, salientou ontem o arqueólogo em entrevista coletiva, não é só "o desaparecimento de um grupo familiar ou de uma ilha inundada", mas "uma crise sem precedentes na história da humanidade". Paradoxalmente, defendeu que sua nova obra "não é catastrofista", mas "uma tentativa de conter a crise" tomando consciência dos perigos da humanidade. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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