Entrevista com Hilary Swank, protagonista de "A Colheita do Mal"

Lluís Bonet Mojica
Em Barcelona

Ela assinou contrato antes de ganhar seu segundo Oscar por viver - junto com Clint Eastwood dos dois lados da câmera - uma boxeadora em "Menina de Ouro", o que talvez explique sua participação em um filme de gênero como "A Colheita do Mal". Mas Hilary Swank (nascida em Bellingham, estado de Washington, em 1974) defende ardorosamente sua participação neste thriller de ressonâncias religiosas. Ganhou sua primeira estatueta em 1999 por "Meninos Não Choram", pelo qual ganhou modestos US$ 3 mil. Agora é uma estrela.

Reuters 
Hilary Swank diz que, mais que prêmios, o que a interessa na carreira de atriz são os desafios

La Vanguardia - O que lhe interessou num projeto como "A Colheita do Mal"?

Hilary Swank -
Eles me mandaram o roteiro uma semana antes do Oscar por "Menina de Ouro" e pensei que dali poderia sair um filme interessante, já que misturava gêneros. A leitura do roteiro me manteve animada e depois me deixou pensativa. Mas achei que era um projeto interessante.

LV - Você gosta do gênero thriller ou filme noir?

Swank -
Sempre fui fã desse tipo de filme. Mas no caso de "A Colheita do Mal" considerei muito interessantes os aspectos religiosos da história. Creio que é um thriller inteligente com elementos sobrenaturais. Hoje há muitos filmes de sangue, que só procuram assustar. Mas este, sendo um filme de terror, também nos faz refletir.

LV - Você é a terceira atriz na história que ganha dois Oscars na categoria de melhor atriz principal.

Swank -
Nunca entrei nesse negócio pensando nos prêmios que poderia ganhar. Minha obsessão sempre foi encontrar histórias que me motivassem e fossem um desafio. Continuo pensando assim: o que me interessa o desafio.

LV - Contam que as filmagens de Clint Eastwood são como uma missa: ele é o sacerdote e até o último coroinha sabe o que deve fazer.

Swank -
É verdade! Quando se filma com ele é possível escutar o ruído de um alfinete caindo ao chão. Ele faz uma ou duas tomadas no máximo, as pessoas sabem disso, não querem errar e ficam totalmente dedicadas. Eastwood é um dos melhores. Uma pessoa estranha, é verdade, mas trabalhar com ele representa um sonho realizado. Nunca esquecerei a filmagem de "Menina de Ouro".

LV - Dizem que você tem antecedentes espanhóis?

Swank -
Quero investigar minha genealogia. Estive pensando de onde vinha minha avó materna, e ela era 90% de ascendência espanhola. Minha avó paterna, por sua vez, é 100% britânica.

LV - Você mantém alguma relação com a personagem da ex-missionária protestante de "A Colheita do Mal"?

Swank -
É uma das primeiras personagens que interpreto com a qual não tenho muito em comum. Bem, temos em comum que se trata de uma mulher independente e forte. Mas na minha família nunca houve nada que pusesse em perigo minhas crenças. Sou mais crente que cética. E acredito em milagres, sobretudo vendo onde estou agora.

LV - Você chegou a Los Angeles em companhia de sua mãe, com US$ 60 no bolso, e enfrentaram dificuldades.

Swank -
Não, com US$ 75! No início dormíamos no automóvel, mas eu era muito jovem e aquilo me parecia uma aventura. Minha mãe não demorou a encontrar trabalho e as coisas melhoraram. Mas ainda me lembro dela colocando moedas em cabines públicas para telefonar para os escritórios de agentes artísticos. Um acreditou nela e me contrataram para um anúncio. Aí começou tudo. "Sou mais crente que cética, e vendo minha carreira acredito em milagres" Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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