Economia da Índia já disputa lugar do Japão

Jordi Joan Baños
Em Nova Déli

O presidente do Banco do Japão, Toshihiko Fukui, declarou-se convencido de que a Índia tomará a dianteira de seu país antes de 15 anos, transformando-se na terceira potência econômica mundial, depois dos EUA e da China. "Projetando a taxa de crescimento atual, a paridade de poder de compra da Índia será superior à do Japão antes de 2025", afirmou Fukui em Tóquio na segunda-feira. A meta oficial de crescimento japonês para este ano é de 2,2%, enquanto a Índia a estima em 8,5%, um leve esfriamento depois dos 9,2% de 2006.

As declarações de Fukui ocorreram durante a visita de seu homólogo do Banco Central da Índia, Yaga Venugopal Reddy, já que o Japão multiplica seus intercâmbios econômicos com a Índia, a qual considera um contrapeso diante da China. O fato também coincide com o recente balanço dos três primeiros anos de mandato do primeiro-ministro Manmohan Singh, artífice do programa de liberalização econômica lançado em 1991 como titular das Finanças. Singh colocou agora o homem do povo no epicentro de sua ação para os dois anos que lhe restam à frente do governo.

O grande projeto da legislatura é o Plano de Emprego Rural, destinado a contratar os desempregados do campo para realizar obras de infra-estrutura e saneamento nas próprias regiões de origem. A divisão entre população urbana e rural e entre regiões ricas e pobres se exacerbou com o boom. O exemplo mais visível é o dos agricultores do algodão, centenas dos quais se suicidam todos os meses por não poderem pagar os empréstimos dos agiotas, enquanto a indústria têxtil indiana experimenta índices de crescimento de até dois dígitos.

Resta ver o resultado desse plano, avaliado em bilhões de euros, num país onde na década de 80 o primeiro-ministro Rajiv Gandhi avaliava que 75% da ajuda ao desenvolvimento nunca chegavam a seus destinatários. Segundo o eminente historiador Ramachandra Guha, desde então a corrupção se estendeu ainda mais entre a classe política e a administração. Em seu balanço de três anos, Singh destaca que "não é por milagre que o investimento estrangeiro na Índia já alcance a soma de 15 bilhões de euros". O primeiro-ministro conseguirá outros tantos se concluir com êxito o acordo nuclear com os EUA, que aliviaria o déficit energético de cidades e indústrias. Entre as pedras no caminho estão as zonas econômicas especiais ¬- conhecidas como SEZ-, que, assim como na China, proliferam muitas vezes diante da enorme resistência dos agricultores. A OMC e o próprio FMI questionaram a viabilidade das SEZ para criar oportunidades de emprego para trabalhadores não-qualificados.

Em sua intervenção diante da Associação de Câmaras de Comércio, Singh destacou o recorde de magnatas indianos, as compras multimilionárias no exterior, os preços dos imóveis, a Bolsa e os salários dos executivos. A florescente classe média indiana, alvo da publicidade, é estimada em no mínimo 55 milhões de pessoas com grande capacidade de consumo. Na congestionada Bangalore, todo mês há 20 mil novos veículos. No entanto, mais de 80% dos indianos vivem com menos de US$ 2 por dia. Mas a população que vive abaixo do limite de pobreza foi reduzida para menos de 26%, segundo estimativas do governo.

No entanto, a Índia continua sendo em grande medida um mercado protegido, apesar do espírito de abertura e reformas do primeiro-ministro Singh. O país ainda apresenta graves restrições à participação estrangeira na atividade econômica e na aquisição de propriedades. Mesmo assim, a espanhola Dragados recentemente obteve a construção do novo terminal de contêineres do porto de Bombaim, junto com a empresa local Gammon, no valor de 219 milhões de euros. Outras grandes empresas espanholas, como Zara ou Mango, aguardam uma nova onda liberalizante para se instalar na Índia. O governador do Banco do Japão prevê que nos próximos anos cederá o terceiro lugar à Índia, atrás dos EUA e da China Luiz Roberto Mendes Gonçalves

UOL Cursos Online

Todos os cursos