Plano de choque para salvar as ilhas Galápagos

Joaquim Ibarz

O governo equatoriano aprovou um plano urgente de choque para aplicar às ilhas Galápagos, a fim de limitar o turismo maciço e a entrada de espécies exóticas. Com essas medidas, pretende-se atender às reclamações da Unesco, que incluiu a reserva biológica na lista de patrimônios naturais de flora e fauna ameaçados. No Equador há indignação e preocupação pelo fato de terem sido encontradas na ilha Isabela oito tartarugas gigantes mortas por desconhecidos, todas da espécie Geochelone vicina, em risco de extinção.

AChau Doan/The New York Times 

O ministro coordenador do Patrimônio Natural, Juan Martínez, disse que a conservação das Galápagos "é uma prioridade" e que o plano de salvação será apresentado até o dia 11. Além do controle do turismo e da maior vigilância da entrada de animais, plantas, alimentos e combustíveis no arquipélago, a intenção é consolidar a produção sustentável, a educação ambiental, energias alternativas e a bioarquitetura.

Com a afirmação de que as Galápagos estão em perigo, a Unesco pôs em dúvida a capacidade do Equador para controlar uma das reservas biológicas mais importantes do mundo. A declaração teve como objetivo "mobilizar maiores recursos para a conservação das ilhas", que abrigam grande variedade de espécies endêmicas em risco de extinção. A Unesco identificou três ameaças, que são a presença de grande quantidade de espécies invasoras, um crescimento descontrolado do turismo e a imigração. A decisão da Unesco estimulou o governo equatoriano a melhorar a política de conservação que aplica às ilhas, que serviram de base para a elaboração da teoria da evolução das espécies pelo cientista britânico Charles Darwin. O arquipélago situa-se no oceano Pacífico, a cerca de mil quilômetros da costa equatoriana.

Graham Watkins, diretor-executivo da Fundação Charles Darwin, que desde 1959 trabalha pela conservação das Galápagos, declarou a este jornal que o desenvolvimento econômico das ilhas está ligado ao crescimento vertiginoso do turismo (14% anuais). Em conseqüência, a imigração aumenta e com ela a demanda de combustível, água, serviços públicos de todo tipo e bens. Nos últimos cinco anos, o número de vôos duplicou e o isolamento das ilhas é cada vez menor, por isso aumentou o ingresso de espécies invasoras, que constituem o maior perigo para a biodiversidade.

"A problemática das Galápagos não se limita à pesca irracional do pepino do mar; os problemas têm a ver com um modelo socioeconômico que atrai mais investimentos, mais imigrantes, mais carga, mais espécies invasoras... e não consegue incluir a comunidade local em um processo de conservação", afirma Watkins.

Enquanto em 1990 eram registradas nas Galápagos 112 espécies introduzidas, hoje são 1.321. Esse número inclui 748 tipos de plantas, contra as 500 espécies nativas, e pelo menos 490 espécies de insetos. Assim, o risco de que o vírus do Nilo ou predadores como serpentes cheguem às ilhas é cada vez maior. A Unesco declarou que a reserva biológica no arquipélago está ameaçada Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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