Cientistas espanhóis descobrem como o corpo humano combate o envelhecimento

Josep Corbella
Em Barcelona

Potencializar a atividade de dois genes do corpo humano naturalmente retarda o envelhecimento e aumenta a longevidade, segundo uma pesquisa liderada pelo Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas e publicada nesta quinta-feira (19/07) na revista científica "Nature". Os dois genes, denominados p53 e Arf, eram conhecidos até agora por sua poderosa atividade anticancerígena. "Compreender a relação entre envelhecimento e câncer pode ajudar a desenvolver novas terapias contra ambos", declarou na terça-feira Manuel Serrano, diretor da pesquisa, em entrevista por telefone.

Várias companhias farmacêuticas já possuem produtos experimentais que atuam sobre esses genes e que foram desenvolvidos como novas terapias contra o câncer. Pelo menos um deles, da companhia Roche, está sendo testado em pacientes voluntários. Serrano indica que esses produtos poderão ser eficazes para retardar o envelhecimento, mas adverte que essa possibilidade ainda não foi investigada.

A pesquisa baseou-se em ratos manipulados geneticamente para potencializar a atividade dos genes p53 e Arf. Como esses genes têm uma atividade muito semelhante nas diferentes espécies de mamíferos, e os resultados de estudos anteriores feitos com esses genes em ratos foram depois verificados em pessoas, os cientistas acreditam que as conclusões do trabalho atual também são válidas para a espécie humana.

A pesquisa mostra que os ratos nos quais os genes foram potencializados viveram 16% a mais em média do que os ratos normais. Transferido para a espécie humana, isso representaria um aumento da esperança de vida dos aproximadamente 80 anos atuais para 93 anos. A manipulação genética que prolonga a vida em ratos não é legal em pessoas, mas tomar remédios que produzissem os mesmos efeitos seria.

Esse aumento da longevidade, segundo demonstram os pesquisadores, é independente da atividade anticancerígena dos genes. Atribui-se ao gene p53 - conhecido como o guardião do genoma, porque atua como um policial que combate as células nocivas - a ativação de genes antioxidantes quando detecta pequenos danos causados pelo envelhecimento das células. Além disso, o p53 retira do organismo as células que sofrem danos excessivos, como as tumorais ou algumas das afetadas pelo envelhecimento.

A pesquisa oferece uma possível explicação para o enigma de por que a longevidade tende a ser maior em algumas famílias do que em outras e por que algumas pessoas parecem surpreendentemente jovens - ou velhas - para sua idade. Uma das chaves parece estar nos genes p53 e Arf, que são mais ativos em algumas pessoas - e em algumas famílias - do que em outras e oferecem uma proteção natural contra o envelhecimento. Potencializar a atividade de dois genes aumentou em 16% a longevidade em testes com ratos Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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