Um rei da literatura

Justo Barranco
Em Madri

Javier Marías é uma ave rara nas letras espanholas. Tanto por seu estilo inconfundível como por seu indiscutível sucesso internacional -traduzido para 37 idiomas em 47 países-, como por algumas das polêmicas que protagonizou. Filho do filósofo Julián Marías, morto em 2005, autor com somente 19 anos de "Los dominios del lobo", amigo de Juan Benet, professor na Universidade Complutense de Madri e em Oxford, ganhador do Prêmio Nacional de Tradução por sua versão de "Tristram Shandy", de Sterne, sua carreira literária esteve salpicada de prêmios e no ano passado ingressou na Real Academia Espanhola. Inclusive é rei.

CONHEÇA O ESCRITOR
Bernardo Rodriguez/EFE - 24.set.2007
O autor madrilenho Javier Marías
ENTREVISTA
Sucessos. "Todas las almas" -ambientada em Oxford e de cujos personagens, como o narrador, Jacobo ou Jaime ou Jacques Deza, bebem "Tu rostro mañana", "Corazón tan blanco" (prêmio da Crítica, prêmio Impac) e "Mañana en la batalla piensa en mí", não por acaso muitos o consideram o mais anglo-saxão dos escritores hispânicos- catapultou a narrativa de Javier Marías à fama internacional. O guru da crítica Marcel Reich-Ranicki o indicou como um dos grandes escritores da atualidade.

Polêmicas. Além da ruidosa ruptura com seu editor anterior, Jorge Herralde, Marías travou com Gracia Querejeta uma dura batalha pela adaptação cinematográfica que esta realizou de "Todas las almas", com o título de "El último viaje de Robert Rylands". Suas mútuas acusações através da mídia, nas quais Marías denunciou que o filme não respeitava o espírito do romance, chegaram até a Suprema Corte. Marías ganhou e os Querejeta tiveram de retirar do filme a menção à obra do madrilenho.

Reino de Redonda. Atualmente Marías é o rei literário desse reino, criado ao redor da ilha desabitada de Redonda, nos domínios britânicos de Antígua e Barbuda. Embora em 1865 um banqueiro da ilha de Montserrat tenha se proclamado rei dela, há décadas seus monarcas são meramente literários e sem direitos reais. Mas podem citar nomes: Pedro Almodóvar é o duque de Trémula e Eduardo Mendoza, o duque de Isla Larga.

Real Academia Espanhola. No ano passado ingressou na RAE, depois de ter-se negado durante anos, enquanto seu pai permanecesse nela. "Não queria que ninguém me acusasse de nepotismo", explicou. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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