Detetive dos McCann promete encontrar Madeleine viva

Víctor-M. Amela

Tenho 35 anos, nasci e vivo em Barcelona. Sou doutor em direito e detetive. Dirijo a agência de detetives Método 3 e agora procuramos Madeleine McCann. Sou casado e tenho dois filhos, Paula, 14, e Nico, 6. Sou conservador, cada dia mais centrista. Sou católico.

A entrevista:

La Vanguardia - Madeleine está viva?
Francisco Marco -
Sim.

LV - Que decidido!
Marco -
Se não acreditasse que está viva, não a estaria procurando!

LV - Porque acredita que ela esteja viva?
Marco -
Tenho meus indícios.

LV - E o que me diz dos vestígios de cadaverina no carro dos pais?
Marco -
Quando a imprensa cor-de-rosa e a imprensa marrom se confundem, surge uma série de barbaridades, muitas idiotices.

Lee Sanders/EFE - 1.nov.2007 
Cartaz convida moradores de Rothley, Reino Unido, a participar de missa para Madeleine

LV - O senhor desautoriza a polícia portuguesa?
Marco -
A polícia portuguesa se viu mergulhada neste verão em uma grande confusão, sufocada pela pressão pública. Se concentrou demais nos pais. Agora, felizmente, a polícia portuguesa voltou ao ponto zero: investigar o desaparecimento da menina naquela noite.

LV - Os McCann são inocentes?
Marco -
São inocentes. São pais que estão procurando sua filha.

LV - O senhor não tem nenhuma dúvida?
Marco -
Nenhuma.

LV - Em que baseia sua convicção?
Marco -
Nossos técnicos tiveram uma entrevista de dez horas com os McCann, tempo suficiente para detectar se estão nos enganando. Meus especialistas afirmam que não escondem nada, e por isso decidimos ajudá-los.

LV - E se os McCann o contrataram só para que todos vejam que procuram sua filha?
Marco -
Eu não vou pôr em jogo o prestígio acumulado por esta agência durante 23 anos de trabalho sem estar convencido de que há um caso.

LV - E o que sentiria se o houvessem enganado?
Marco -
Decepção. Mas não creio nisso. E tenhamos uma coisa clara: eu trabalho para a menina.

LV - Que margem de tempo dá a si mesmo para encontrá-la?
Marco -
Concordamos com os McCann em seis meses. Já estamos trabalhando há um mês e meio.

LV - Vai encontrar a menina nesse prazo?
Marco -
Sim. Vou localizá-la antes do prazo.

LV - O senhor tem muita auto-estima e segurança!
Marco -
Para mim este caso é especial. Tenho filhos. E eles me pedem: "Papai, encontre Madeleine!" Minha mulher não me censura todo o tempo que dedico a isso. Trabalho junto com meus pais na agência, todos usamos a pulseira.

LV - Que pulseira?
Marco -
A que traz o número de telefone para dar informações sobre pistas: 902-300-213. Investigamos todas. Já recebemos 515 ligações.

LV - Qual é sua hipótese de trabalho sobre o que aconteceu com Madeleine?
Marco -
Alguém levou a menina de seu quarto no complexo Ocean View, a tirou de Portugal e foi para o Marrocos.

LV - E quem reteria a menina hoje?
Marco -
Uma menina loira como Madeleine é um sinal de status social no Marrocos. É isso, e não posso lhe dizer mais.

LV - Pensa em pederastia?
Marco -
Não quero pensar nisso agora.

LV - O senhor se deslocou para o Marrocos?
Marco -
Sim, fiz isso depois de um aviso. Fui correndo para lá. No aeroporto comprei bonecas para Madeleine. Infelizmente, a pista era incorreta... mas guardo as bonecas no meu quarto e as levarei na mala no dia em que localizar Maddie.

LV - De quanto em quanto tempo fala com os McCann?
Marco -
Todos os dias lhes relatamos dados sobre a situação de nossas pesquisas.

LV - Quanto vai cobrar por esse trabalho?
Marco -
Os gastos, além de outra cifra que é mais simbólica que elevada.

LV - Este caso lhe traz muita publicidade.
Marco -
Também é uma aposta forte, um risco que vale a pena correr por essa família.

LV - O que a imprensa britânica diz sobre o senhor?
Marco -
Que somos os melhores detetives do mundo.

LV - Quantos casos de desaparecimentos sua agência investiga por ano?
Marco -
Nossa especialidade é a fraude empresarial, mas também localizamos cerca de 300 pessoas por ano.
O detetive Marco me recebe em seu escritório, no Eixample em Barcelona. É daí que centraliza a busca a Madeleine McCann. Está contente por ter conseguido divulgar fotografias da menina no Marrocos, assim como o número de telefone que se pode chamar para informar sobre pistas. Ele dá entrevistas para divulgar esse número, assim como faz na televisão sua mãe, Marita Fernández, fundadora da agência de detetives Método 3 (na qual trabalha meia família, além de 42 empregados). Digo a Marco que acho muito difícil que encontre Madeleine. Ele propõe me pagar um jantar se não a localizar antes de 30 de abril. Tomara que seja eu quem tenha de convidá-lo.
902-300-213


LV - Qual foi seu caso de maior repercussão?
Marco -
Encontramos Paesa, o ex-espião espanhol que publicou sua nota fúnebre na imprensa para que o considerassem morto. Morava em Paris. Fomos contratados por uma publicação para procurá-lo.

LV - Onde está Paesa agora?
Marco -
Não sei. Não sou um curioso: investigo por encomenda, e agora ninguém me pediu para procurá-lo.

LV - De que caso sente mais orgulho?
Marco -
Localizamos onde Juan Antonio Roca guarda seu dinheiro fora da Espanha, na ilha de Man. O juiz do caso oficiou os bancos que nós revelamos.

LV - Que caso mais o decepcionou?
Marco -
O da Intervida: me envergonha ver como uma ONG se desmantela com a cumplicidade do Estado e o concurso de outras ONGs, e tudo baseado em uma denúncia sem fundamento. O que me dói é que 100 mil crianças foram prejudicadas, ficaram sem padrinhos.

LV - Que três qualidades são necessárias para ser um bom detetive?
Marco -
Capacidade de percepção, mente lógica e escrever bem: se não explicar bem sua investigação para que o juiz a entenda, de nada serve.

LV - O que sua agência tem que outras não têm e que levou os McCann a contratá-la?
Marco -
Seriedade e uma grande capacidade de trabalho em todo o mundo: temos contatos rápidos com investigadores em todos os países.

LV - Quantas pessoas estão ocupadas neste caso?
Marco -
Cerca de 40 pessoas, aqui e no Marrocos.

LV - Como visualiza o final do caso?
Marco -
Dou as bonecas para Madeleine, a acalmo, tiro-a de onde estiver, telefono para seus pais e a coloco ao telefone. Entrevista com Francisco Marco, detetive espanhol: "Madeleine está viva e vou encontrá-la", afirma o profissional contratado para a missão Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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