Brasil vai à Espanha buscar investimentos em turismo

Raèl Montilla
Em Barcelona

"Vivemos um momento de estabilidade política e econômica: estamos reduzindo a pobreza e ao mesmo tempo que crescemos contamos com grandes indústrias e nosso poder aquisitivo está aumentando. O Brasil é um bom investimento", comentou, convencido, Marcelo Déda, governador do Estado brasileiro de Sergipe. Seu país é convidado do salão Barcelona Meeting Point. E também é para onde olham cada vez mais empresas imobiliárias para obter lucros importantes. Parece que tem tudo: bom clima, terreno, conexões aéreas com a Europa e os EUA e uma população que tem poder aquisitivo cada vez maior.

A desaceleração do mercado imobiliário espanhol fez que as empresas nacionais olhem cada vez mais para fora. Para o Leste Europeu, mas também para um país que é o quinto maior do planeta e conta com uma população próxima dos 190 milhões de pessoas.

Até agora se construíam principalmente hotéis. A última onda são resorts de todo tipo, de condomínios residenciais, tanto para brasileiros quanto para europeus e americanos. "Estamos importando um pouco a Europa. Em São Paulo, um apartamento de luxo pode custar 5 mil euros o metro quadrado. Mas só tem apartamentos de cerca de 500 metros. Queremos importar o modelo de casas", indica Carlos García, diretor comercial do Grupo Sánchez.

Essa empresa catalã está apostando no gigante sul-americano. Nesta terça-feira (6/11) apresentou sua jóia, o Grand Natal Golf, um projeto residencial e turístico na cidade brasileira de Natal, equipado com cinco campos de golfe, oito complexos hoteleiros, um centro de saúde e estética, uma hípica e instalações esportivas que servirão de complemento para cerca de 32 mil apartamentos que começarão a ser construídos em 2008 -40% da primeira fase já estão reservados.

O conceito é semelhante ao que se desenvolveu na última década na Catalunha no caso de Masia Bach, em Sant Esteve Sesrovires, ou o ligado ao Golf de Peralada. Um modelo muito difundido no Mediterrâneo, mas desconhecido no Brasil e no qual o grupo catalão investirá 2,65 bilhões de euros. O preço de venda ficará em torno de 1.400 euros o metro quadrado. "Há um grande interesse dos espanhóis em comprar. Mas aqui temos três mercados que são muito importantes: o próprio brasileiro, o britânico e o americano. Hoje em dia é muito boa idéia investir no Brasil", afirma García.

"Sergipe é o menor Estado do Brasil. Sua superfície é de 22 mil quilômetros quadrados. Hoje estão previstos quatro resorts, um com capital valenciano. O total do investimento é de US$ 200 milhões. E também há outro mercado interessante que é o das moradias que não são de luxo", comenta Déda. Ele é um dos seis governadores que participam do salão. Também o fará a ministra do Turismo do Brasil, Marta Suplicy. "O crescimento hoteleiro do Brasil e de condomínios residenciais permite um longo percurso para os que investem no país", afirma o presidente do Barcelona Meeting Point, Enrique Lacalle.

O Brasil se transformou em um investimento seguro para obter lucros importantes em curto prazo. O investimento estrangeiro no mercado imobiliário brasileiro cresceu nos oito primeiros meses deste ano três vezes mais que em todo 2006. E atualmente 5% dos turistas que visitam o Brasil querem ter uma segunda residência no país. Uma moradia de luxo ao lado da praia, com 400 metros de terreno e acesso a um campo de golfe pode custar 160 mil euros. O país se transformou no principal investimento para os empresários do setor, com a estagnação imobiliária na Espanha. Os projetos da moda são resorts para brasileiros, europeus e americanos Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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