Futuro exército dos EUA: a primeira guerra dos robôs

Andy Robinson
Enviado especial a Boston

Uma das primeiras baixas em batalha no Iraque é o sonho futurista de Donald Rumsfeld da guerra de conectividade virtual e sistemas de sistemas, redes de informação que vinculariam as diversas plataformas de armamentos, de tanques a caça-bombardeiros, e possibilitariam uma drástica redução da mão-de-obra militar.

Cinco anos depois, Rumsfeld está aposentado e nos EUA o livro de estratégia militar mais na moda é o manual antitecnológico de contra-insurgência do general James Petraeus, responsável máximo pelas forças armadas no Iraque.

Se a visão militar de Rumsfeld resultou uma fantasia, em troca, em outra área da tecnologia militar do século 21 já parecem quase verossímeis os filmes de ficção-científica como "O Exterminador do Futuro" e "Eu, Robô". A robótica militar foi adotada extensamente e com bastante êxito nas guerras do Afeganistão e do Iraque. Já há mais de 5 mil veículos militares robotizados no Iraque, a maioria na busca de explosivos, mas cada vez mais serão plataformas para metralhadoras e lança-mísseis.

Na guerra aérea já são mais de mil aviões sem piloto, desde os Global Hawks -aparelhos de espionagem fabricados pela General Atomics na Virgínia- até os letais Predators da multinacional de armas da Califórnia Northrop Grumann.

"É verdade que a tecnologia de redes não mudou nada, mas a qualquer momento um Global Hawk pode detectar um alvo e um Predator destruí-lo; basta que um operário em Fortaleza Neill, em Las Vegas, aperte o botão", diz Peter Singer, da Iniciativa de Defesa do Instituto Brookings.

Singer afirma no livro "Wired for War" (Equipado para a guerra], ainda inédito, que, assim como o tanque e o submarino na Primeira Guerra Mundial e a bomba atômica na Segunda, o robô militar será lembrado como a grande inovação tecnológica da guerra do Iraque. "Não se sabe exatamente como será utilizado, mas, pela primeira vez na história, se perdeu o monopólio humano da guerra", explicou em uma entrevista a "La Vanguardia".

O Pentágono, em seu plano de combates do futuro -US$ 127 bilhões de orçamento-, pretende que um terço das forças em tarefas como reconhecimento, antibombas, espionagem e ataques selecionados seja formado por robôs até 2015. E considera possível mobilizar os soldados-robôs em campo em 2035.

Ao começar a guerra, segundo Singer, havia ceticismo em relação aos robôs. Mas "o Iraque e o Afeganistão criaram uma aceitação geral da tecnologia da robótica na cúpula das forças armadas", diz.

Na gama atual de veículos terrestres sem pilotos há robôs pequenos que parecem tanques de brinquedo, perfeitos para inspecionar veículos-bombas ou, equipados com câmera, para reconhecimento em terreno perigoso. Há outros maiores que levam metralhadoras ou lança-mísseis. O Swords System de Foster Millar inclui robôs com metralhadora que giram em busca de inimigos escondidos como fuzileiros-navais de carne e osso em uma rua de Faluja.

A robótica aérea, por sua vez, supera James Bond. Outro gigante do armamento, a Lockheed Martin, desenvolveu um protótipo do avião sem piloto Cormorant que é instalado em submarinos. Ao ser lançado, flutua até a superfície do mar, decola e lança ataques com míssil. Os robôs militares não se parecem muito com o Exterminador, mas estão trabalhando em vestimenta que potencializa a força, a velocidade e a resistência dos fuzileiros-navais. Ou seja, roupas com vida própria. O Iraque se transformou em um laboratório acelerado de tecnologia militar. O Pentágono quer que um terço de suas forças sejam robôs até 2015. No Iraque há 5 mil veículos de controle remoto em ações contra o terrorismo Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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