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29/12/2007 - 00h04

"E.T." completa 25 anos

La Vanguardia
Salvador Llopart

Em Barcelona
Houve um tempo, antes de "E.T.", em que esse personagem feio e ameaçador que chamamos de alienígena encarnava o medo de tudo aquilo que deve ser destruído antes que nos destrua. Encarnava na cultura popular o terror da diferença.

Eram tempos de Guerra Fria nos EUA e de paranóia comunista em boa parte do mundo ocidental. Corriam os anos de 1950 e 60, e o outro, o diferente, se substanciava, pelo menos em Hollywood, nos monstros vindos do espaço exterior. Os títulos dos filmes de ficção-científica da época são suficientemente explícitos: "Ultimato à Terra", "Quando os Mundos se Chocam", "A Guerra dos Mundos" ou "A Invasão dos Ladrões de Corpos". Já se sabe que desprezamos, por temor, tudo aquilo que desconhecemos.

Divulgação 
Cena do filme "E.T.", dirigido por Steven Spielberg e que foi lançado em 1982

Também se disse que o cinema, por meio da ameaça alienígena, sintetizava os medos da época. Em todo caso, a ficção-científica foi povoada por monstros até que em 1968 começou uma mudança de perspectiva. Primeiro com Stanley Kubrick e seu "2001, uma Odisséia no Espaço"; e, já nos anos 70, com Steven Spielberg e "Encontros Imediatos do Terceiro Grau". O alucinado e alucinógeno filme de Kubrick transformava o outro em um monólito parecido com o próprio Deus. Spielberg foi menos excessivo que Kubrick em seu afã redentor, mas naqueles "Encontros" se percebia dominado por uma inegável ingenuidade ecumênica. Em seu filme inclassificável, os extraterrestres deixam de ser um perigo para as pessoas, apresentando-se com uma nave que é uma espécie de catedral erigida ao bem a ser conhecido, contra a ameaça desconhecida.

A televisão, por sua vez, nos anos 1970, contribuiu para a mudança com séries inesquecíveis, como "Meu Marciano Favorito", em que o extraterrestre já não é o inimigo mas o espelho onde vemos refletidas, com bom humor, nossas infelicidades ou paradoxos como espécie.

Também não devemos esquecer que 1978 é o ano de "Alien, o Oitavo Passageiro", o monstro mais tremendo que o espaço exterior já produziu, ao lado do Predador, seu arquiinimigo: duas feras malignas que vieram das estrelas distantes e continuam se perpetuando no cinema até hoje ("Alien x Predator 2" tem estréia prevista para 2008). O alienígena, o extraterrestre, continua sendo em boa medida o inimigo a vencer. Ou pelo menos o enigma a resolver, como deixaria muito claro a série de televisão "Arquivo X".

Mas se houve um filme que de alguma maneira contribuiu para reduzir essa percepção ameaçadora foi "E.T." (1982), do próprio Spielberg. Um filme que deixa claro que o terror nem sempre vem do espaço exterior. Lembram de Alf na televisão dos anos 80? Pois esse ser brincalhão não teria existido sem o E.T., porque E.T. garantiu no imaginário popular o sentimentalismo e o humor em relação ao alienígena. Tantos sentimentos se acumulavam ao seu redor que alguns tacharam aquele filme, na época, de tolo, infantil, manipulador ou inocente, segundo os mais condescendentes. Mas isso foi há 25 anos, e o tempo acabou pondo as coisas em seu devido lugar. Hoje alguns cortariam a própria mão antes de voltar a escrever o que escreveram na época sobre "E.T.".

ET-MANIA
Divulgação
Cena do filme "E.T."
BUSCA POR VIDA ALIENÍGENA
A história que conta é simples: um alienígena se perde na Terra, abandonado pelos seus. É um ser diferente, por ser extraterrestre, e sente-se encurralado pelos seres humanos. É uma vítima que tem a sorte de se encontrar com Elliot (Henry Thomas), uma criança tão alienígena quanto ele mesmo. A grande diferença em relação a outros filmes com extraterrestres está na mudança radical do ponto de vista na hora de tratar do outro. Spielberg inclina-se para o menino e para o extraterrestre; põe a câmera na altura de seus olhos e assim sentimos o terror que eles dois sentem, e o medo que lhes causam os adultos, a persegui-los sem trégua.

Também há a impossível ressurreição da estranha criatura e as bicicletas voando, ou as lágrimas que nos escapam quando o simpático alienígena com olhos de vaca e cara de peixe parece morrer. Mas isso não tem nada a ver com os alienígenas ou com a ficção-científica, nem com a ameaça dos extraterrestres... Tem a ver com Spielberg e sua magia de cineasta.

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