"Mamãe, não vão mais nos separar?", diz Emmanuel a Clara Rojas

Joaquim Ibarz
Na Cidade do México

O encontro foi tão chocante quanto a separação. Clara Rojas abraçou seu filho Emmanuel com essa força poderosa que a ajudou a manter-se viva em meio à infâmia do seqüestro. Foi o momento mais esperado desse drama que comoveu o mundo. Depois de quase seis anos nas mãos das Farc, Clara Rojas se reencontrou com Emmanuel, de 3 anos, concebido no cativeiro e do qual foi separada quando ele tinha só 8 meses. No domingo passaram a noite juntos.

O esperado reencontro ocorreu na casa da família que hospedou Emmanuel, no norte de Bogotá. A avó do menino, dona Clarita, e outras testemunhas choraram de emoção. Mãe e filho falaram, brincaram, riram. Emmanuel mostrou-se receptivo.

FIM DO DRAMA
ICBF/Reuters - 14.jan.2008
Clara Rojas reencontra o filho Emmanuel após seis anos
"ESTOU VIVA POR EMMANUEL"
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Ao ver sua mãe, o menino a reconheceu pelas fotos que tinham lhe mostrado. A emoção ficou fixada nas imagens que, por vontade de Clara, foram entregues à mídia. Juntos, a mãe pôde receber das mãos de seu filho o presente de que falou ao chegar a Bogotá, uma pasta com desenhos. Os círculos coloridos e as listras infantis voltaram a comover a mãe.

Nos últimos dias, o menino, que completará 4 anos em 16 de abril, foi atendido por psicólogos e assistentes sociais que lhe mostraram fotos de sua mãe, para que quando a visse pessoalmente não a rejeitasse e a mudança de lar não fosse traumática.

As fotografias e as primeiras gravações do encontro foram entregues pelo Instituto Colombiano do Bem-Estar Familiar (ICBF), instituição que cuida de crianças abandonadas ou maltratadas. "Foi um momento emocionante. Clara não conseguiu conter as lágrimas e o menino foi muito receptivo. Quando estavam abraçados, ele disse: 'Mamãe, não vão mais nos separar?'", contou Elvira Florero, diretora do centro, que levou o menino até o quarto onde houve o encontro.

Por desejo da mãe, o menino continuará se chamando Emmanuel. Como foi registrado como Juan David (supostamente o nome do pai, um guerrilheiro), será efetuada a mudança. Desde que o teste de DNA confirmou que o menino é filho de Clara, o ICBF procura que Emmanuel aceite seu novo nome. A avó propôs que seja registrado como Emmanuel Juan David para evitar confusão ao menino.

Segundo Florero, a partir deste momento o menino "já convive com sua família", mas esclareceu que o processo para que volte legalmente às mãos de Clara poderá demorar quatro meses.

No vídeo entregue à imprensa, Clara agradece aos colombianos "suas orações e bênçãos (...) não há palavras para expressar o que estou vivendo". "Isto é um processo, é preciso superar uma grande quantidade de coisas, precisamos de tranqüilidade e descanso. Talvez sejam necessários dias, semanas e talvez meses, mas na medida do possível irei compartilhando o que acontecer." Rojas disse se sentir "a mulher mais feliz do mundo, a mais orgulhosa com meu bebê", do qual destacou seu olhar "bonito".

Quando estava em uma casa de acolhimento, Emmanuel quase foi adotado legalmente por uma família européia, contou a "La Vanguardia" uma funcionária do ICBF. No reencontro de Clara Rojas com seu filho Emmanuel, depois de três anos afastados, o menino reconheceu a mãe pelas fotos que os psicólogos tinham lhe mostrado Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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