A economia verde lança raízes

Antonio Cerrillo
Em Barcelona

Os problemas ambientais condicionam o mundo das empresas e obrigam a reescrever as regras da economia. A perda de espécies naturais é contínua desde 1970, enquanto o impacto da mudança climática obrigará a investir em sua redução. No entanto, existem diversos exemplos de como a inovação pode dar lugar a uma economia ecológica. Os avanços nesse sentido estão compilados no último relatório sobre a situação no mundo, do Centro de Estudos Worldwatch, apresentado esta semana em Barcelona (editado pela Icária e o Centro Unesco). Reduzir as emissões de CO2 e o uso de energia, assim como aproveitar as novas oportunidades de negócios incorporando as regras de mercado na busca de soluções são constantes nos exemplos citados.

Produção limpa e sem CO2
Muitas empresas começaram a assumir que devem produzir com impacto ambiental mínimo. A multinacional química DuPont cortou 72% das emissões de gases do efeito estufa em 2007 com relação a 1991. Seu exemplo é seguido por outras empresas, sobretudo para poupar energia e custos. Da mesma maneira, o fabricante suíço de semicondutores STMicroelectronics tem como meta conseguir não emitir gases do efeito estufa até 2010, e recorrerá às fontes limpas. Enquanto isso, a General Electric anunciou que produzirá lâmpadas LED de baixo consumo para as vitrines de refrigeração dos supermercados, pois são mais duradouras, produzem menos calor e não contêm mercúrio.

O consumo verde está em alta. O consumidor começa a comprar produtos mais respeitosos com o meio ambiente. As vendas de veículos híbridos Toyota subiram de 18 mil unidades em 1998 para 321.500 em 2006 e hoje já são vendidos mais de um milhão de carros por ano em todo o mundo. As vendas mundiais de alimentos ecológicos subiram 43% entre 2002 e 2005, e já faturam US$ 43 bilhões. O Wal-Mart, maior rede de lojas de varejo do mundo, anunciou que nos próximos três a cinco anos certificará que todo o peixe que vende não procede da sobrepesca em nenhum dos grandes pesqueiros do mundo, cada vez mais dilapidados. A Tyson Foods não vende aves tratadas com antibióticos para lojas e restaurantes desde 1997.

Multinacionais e renováveis
Algumas das grandes empresas realizaram importantes investimentos em fontes de energia renováveis: British Petroleum (eólica e fotovoltaica), General Electric (eólica), DuPont (biocarburantes), Mitshubishi (eólica), Royal Dutch Shell (eólica, hidrogênio e fotovoltaica), Sharp (fotovoltaica) e Siemens (eólica). Nos últimos cinco anos a fabricação de aerogeradores aumentou 17% ao ano e a de células fotovoltaicas 46% ao ano. Os especialistas pedem normas de eficiência energética mais rigorosas em motores e transporte, eletrodomésticos e na construção. A Austrália ou a China prevêem eliminar pouco a pouco o uso de lâmpadas incandescentes e substituí-las por lâmpadas fluorescentes, quatro vezes mais eficientes.

Maior renda econômica não traz felicidade. Por que não ganhar menos, gastar menos e dedicar mais tempo a nossas famílias e amigos? O movimento a favor do decréscimo, a reação contra o consumismo desenfreado ou as iniciativas a favor da simplicidade ganham adeptos. A China cresceu 2,5 vezes em dez anos (1994 a 2005), mas os índices de felicidade caíram 15%. E o Japão cresceu cinco vezes em 30 anos (1958 a 1987), mas a população disse que é igualmente feliz. "A nova economia deve estudar como satisfazer as necessidades reais da população", declarou Gary Gardner, diretor-coordenador do relatório.

Investimentos responsáveis
As empresas que assumem sua responsabilidade ambiental ganharam na Bolsa nos dois últimos anos 25% mais que a média, informou o banco Goldman Sachs. "Ser verde é mais rentável", afirmou Gardner. Aumenta o número de fundos ambientais e de energia limpa. O investimento de capital de risco nas tecnologias limpas aumentou 78% em 2006 (chegou a US$ 2,9 bilhões). A Internet se incorporou ao microfinanciamento, destinado a fomentar as pequenas empresas não atendidas nos países pobres. O portal da Internet Kiva.org põe em contato credores que investem pequenas quantias de dinheiro em países em desenvolvimento com uma ONG intermediária.

Um novo comércio é a compra e venda de direitos de emissão de CO2, do qual já participam as indústrias européias afetadas pelo Protocolo de Kyoto. Comprar e vender esses cupons ou direitos excedentes anuais é uma atividade em crescimento. As transações passaram de 328 milhões de toneladas de CO2 em 2005 para 1,13 bilhão em 2006. E crescem os investimentos em desenvolvimento limpo no Terceiro Mundo para descontar emissões de gases nos inventários dessas empresas. Um relatório do Worldwatch Institute revela que conservar a biodiversidade também pode ser um negócio Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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