Países europeus pedem prudência no uso de celulares por crianças

Marta Ricart
Em Barcelona

As dúvidas sobre se os telefones celulares prejudicam a saúde devido à sua radiação de radiofreqüência de baixa intensidade existem desde o seu surgimento, mas se animaram diante de sua utilização por crianças. Os últimos apelos são para que se limite seu uso, porque se desconhece se aumentam o risco de câncer.

O Ministério da Saúde francês fez uma advertência em janeiro aconselhando os pais a limitar o uso do celular por crianças e que as ligações não passem de seis minutos. Ele se baseou em estudos de especialistas em radiofreqüência. O Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA, assessor do governo federal, também recomendou examinar crianças e grávidas para determinar se são afetadas por celulares e outros aparelhos sem fio. Indicou que não foram analisados os efeitos em longo prazo nem o nível de exposição à radiação, que nas crianças se estenderia por anos caso comecem a usar o celular em idade precoce.

O conselho estimou que se existe um risco as crianças seriam mais vulneráveis, por estarem em fase de desenvolvimento. Grã-Bretanha e Rússia também apelam à precaução; a Holanda concluiu em 2002 que o celular não representa risco para as crianças.

Os diversos estudos (quase todos com adultos) dão resultados opostos. Há pouco tempo pesquisadores japoneses concluíram que o celular não aumenta o risco de tumor cerebral. Analisaram durante seis meses pessoas com diversos tumores (glioma, meningioma e adenoma) e outras saudáveis, que usaram o celular pelo menos uma vez por semana, e examinaram que zonas do cérebro recebem radiação. Um estudo francês encontrou um risco maior de gliomas, e outro israelense maior risco de tumores nas glândulas salivares quando o uso supera 22 horas mensais.

Existe um estudo de 13 países, Interphone, lançado pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (da Organização Mundial da Saúde) em 1999 para analisar durante dez anos o efeito em tumores cerebrais, do nervo acústico e das glândulas salivares. Ainda não terminou, mas seus dados teriam sugerido os apelos à precaução em alguns países.

Os pesquisadores aconselham que as pessoas não fiquem angustiadas, mas, como precaução, limitem o uso do celular pelas crianças, a duração das ligações e o uso de dispositivos como viva-voz e fones de ouvido e as mensagens instantâneas, que representariam menor risco de radiação do que colocar o celular junto ao ouvido, resume Manolis Kogevinas, co-diretor do Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal) de Barcelona.

O Creal estudará o risco do uso do celular por crianças e adolescentes e se favorece os tumores cerebrais. O centro propôs à União Européia que o estudo inclua vários países (pois vários planejam estudos com crianças). O trabalho será dirigido pela pesquisadora Elisabeth Cardis, recém-contratada pelo Creal e que coordenou o estudo Interphone.

Na Espanha os temores indicaram mais a proximidade de antenas de telefonia de colégios. Kogevinas afirma que seu risco seria inferior ao do celular. Ao usar o celular, uma área de vários centímetros ao redor da orelha é exposta a radiação. As dúvidas sobre se os telefones celulares prejudicam a saúde devido à radiação de radiofreqüência de baixa intensidade existem desde o seu aparecimento, mas ganharam força devido a sua utilização por crianças. Os especialistas defendem limitações para evitar riscos Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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